Estupros e outras agressões são 'armas' do Irã contra manifestantes, diz ONG

As forças de segurança do Irã utilizaram violência sexual como "arma" para reprimir a rebelião do movimento "Mulher, Vida, Liberdade", conforme aponta um relatório da Anistia Internacional (AI) divulgado nesta terça-feira (5), com depoimentos de estupros cometidos individualmente ou em grupo contra homens, mulheres e crianças.

A ONG de defesa dos direitos humanos afirma que certificou as "terríveis evidências" a que 45 pessoas foram submetidas - 26 homens, 12 mulheres e sete menores - após serem detidas de forma "arbitrária" durante a onda de protestos que abalou a República Islâmica do Irã no outono boreal de 2022.

"Agentes dos serviços de informações e segurança iranianos recorreram ao estupro e outras formas de violência sexual como uma arma para torturar e punir os manifestantes, especialmente crianças de apenas 12 anos, causando danos físicos e psicológicos duradouros", escreve a secretária-geral da AI, Agnès Callamard.

A organização informou que entregou as conclusões de seu relatório às autoridades iranianas em 24 de novembro, sem receber "nenhuma resposta até agora".

"Começaram arrancando minhas roupas, e quando implorei para que parassem, me bateram muito forte na boca [...] Eram três, incluindo o que me interrogava. Me violentaram brutalmente", usando até "uma garrafa", relatou à ONG Maryam, que afirmou ter sido vítima de membros da Guarda Revolucionária.

Segundo Maryam, ela foi tratada assim porque ela e suas amigas haviam "retirado o véu" durante as manifestações que ocorreram no Irã a partir de setembro de 2022, quando uma jovem curda iraniana, Mahsa Amini, morreu após ser detida pela polícia da moral por não seguir as normas de vestimenta.

Das 45 vítimas identificadas pela AI, 16 foram estupradas: seis mulheres, sete homens, uma jovem de 14 anos e dois garotos de 16 e 17 anos.

As outras 29 vítimas registradas pela AI sofreram outras formas de violência sexual: os agentes "as apalpavam, batiam em seus seios, genitais e coxas", obrigando-as a "se despirem, às vezes até na frente de câmeras de vídeo" ou inserindo "agulhas" nos testículos, entre outras humilhações.

A grande maioria das vítimas declarou que não denunciou "por medo". Três o fizeram, mas "duas foram obrigadas a retirar [a denúncia] porque as forças de segurança ameaçaram sequestrá-las e/ou matá-las, a elas ou a seus familiares", destacou a AI, que entrevistou remotamente as vítimas, seus familiares e outras testemunhas.

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Atualmente, as manifestações no país são mais incomuns.

Segundo a ONG, cinco manifestantes vítimas de estupro ou outras formas de violência sexual foram condenados à morte. Um deles, Javad Rouhi, morreu em agosto "em circunstâncias suspeitas". E outro, Majid Kazemi, foi executado em maio.

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© Agence France-Presse

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