Salvadorenhos pedem justiça aos 42 anos do massacre de El Mozote, na guerra civil

Centenas de salvadorenhos exigiram justiça, neste sábado (9), aos 42 anos do massacre de El Mozote, o maior da América Latina, no qual cerca de mil pessoas morreram nas mãos do Exército durante a guerra civil (1980-1992).

"Agora, aos 42 anos (do massacre), ainda não se alcançou a justiça, mas acreditamos que se nos unirmos, podemos conseguir essa justiça que tanto queremos", afirmou o líder da Associação Promotora de Direitos Humanos de El Mozote, Leonel Tobar.

O massacre ocorreu entre 9 e 13 de dezembro de 1981, quando unidades do Exército salvadorenho, lideradas pelo batalhão contra-insurgente Atlacatl - treinado pelos Estados Unidos -, lançaram a chamada "Operação Resgate" contra o povoado no nordeste do departamento (estado) de Morazán.

O governo de El Salvador estabeleceu em 2017 que ao menos 988 pessoas, entre elas 558 crianças, foram assassinadas em El Mozote e comunidades vizinhas.

Outras 712 pessoas que sobreviveram ao ataque abandonaram a região. 

O conflito em El Salvador deixou mais de 75.000 mortos, ao menos 7.000 desaparecidos e milhares de deslocados.

Frases como "Diante de um processo de anos de impunidade, queremos justiça já" ou "Aos 42 anos pedimos justiça, verdade e medidas de não repetição" diziam alguns cartazes no início dos atos comemorativos em El Mozote, cerca de 200 km a nordeste de San Salvador.

"Vimos muitas vítimas morrerem sem ter realizado o desejo de justiça", lamentou María José Araya, advogada do programa para a América Central e o México do Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil), que acompanha o processo há décadas.

"Em El Mozote, a morte chegou antes da justiça, mas acreditamos fielmente que a esperança não se rende ao esquecimento", afirmou.

Continua após a publicidade

Embora Araya tenha reconhecido que há "poucos avanços", estes não foram suficientes porque "até hoje, nenhuma pessoa foi julgada, muito menos sancionada pelos graves crimes cometidos e o processo penal não avançou para além da fase de investigação".

O processo está em fase de instrução (investigação) em um tribunal de San Francisco Gotera, oeste do país, desde 9 de junho de 2017.

Araya assegurou que o massacre de El Mozote é "o maior assassinato em massa" conhecido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), que condenou o Estado salvadorenho em 28 de outubro de 2012.

"Hoje, reafirmamos nossa luta pela memória coletiva e a justiça em El Salvador com o propósito de não ceder ao esquecimento e à impunidade, nem agora, nem nunca", sentenciou Araya.

bur/ec/cjc/mvv

© Agence France-Presse

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes