Colômbia e ELN anunciam abertura de negociações de paz; Brasil elogia iniciativa

O governo brasileiro comemorou nesta quarta-feira (30) o início das negociações de paz entre o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN). De acordo com o ministério das Relações Exteriores, o Brasil recebeu "com grande satisfação" o anúncio do estabelecimento de uma mesa formal para os diálogos e que essa etapa se soma aos "importantes avanços" que já ocorrem nas negociações para o término do conflito entre a Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (Farc-EP).

Nesta tarde, o governo da Colômbia e a guerrilha do ELN anunciaram oficialmente o início de conversações de paz, em paralelo às que decorrem desde 2012 com a rebelião das FARC, principal grupo rebelde do país. As duas partes "concordaram em estabelecer um diálogo público para abordar os pontos previstos na agenda" das discussões e "alcançar uma Colômbia em paz", registra a declaração comum divulgada pelos seus representantes.

"Trata-se de mais uma evolução positiva no processo de reconciliação nacional e consolidação da paz na Colômbia, país vizinho e amigo e importante parceiro na construção da integração regional", disse o Itamaraty, por meio de nota à imprensa. O Itamaraty lembrou da contribuição do Brasil no processo de diálogo e disse se "sentir honrado" em aceitar novamente participar das negociações.

"Ao reiterar o compromisso permanente do Brasil com a preservação da paz e a manutenção da estabilidade regional, o governo brasileiro se congratula com todos os colombianos por mais esse auspicioso anúncio e reitera seu empenho em seguir contribuindo para os esforços em favor da plena pacificação da Colômbia, que certamente trará efeitos positivos para toda a região", informou o Itamaraty.

Abertura das negociações

O anúncio do retorno das negociações foi feito por Frank Pearl, representante do governo de Bogotá, e o comandante do ELN, Antonio García, após conversações em Caracas, capital da Venezuela, e na sequência de mais de dois anos de contatos "exploratórios" no Equador. Pearl indicou que as conversações vão continuar no Equador, na Venezuela, no Chile, Brasil e em Cuba, países que atuarão como "avalistas", juntamente com a Noruega.

Após o anúncio, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou que as negociações apenas serão iniciadas quando estiverem solucionados diversos "temas humanitários", incluindo o fim dos sequestros. "Para o governo, não é aceitável avançar numa conversação de paz com o ELN enquanto mantenha pessoas sequestradas", disse em uma declaração na Casa de Nariño, a sede da Presidência em Bogotá.

O ELN e o Executivo de Juan Manuel Santos iniciaram, em janeiro de 2014, discussões exploratórias às conversações de paz, em paralelo com as iniciadas desde novembro de 2012 em Cuba com a guerrilha das FARC, o principal movimento de guerrilha que reúne cerca de 7.000 combatentes.

Segundo as autoridades, o ELN, uma guerrilha inspirada na revolução cubana e em Che Guevara, tem origem em uma insurreição camponesa de 1964, à semelhança das FARC, e ainda mobiliza cerca de 1.500 combatentes.

O complexo conflito armado colombiano, que se prolonga há 52 anos e envolve guerrilhas de extrema-esquerda, paramilitares de extrema-direita e forças armadas, para além das violências dos grupos ligados ao narcotráfico, provocou mais de 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,6 milhões de deslocados.

*Com informações da Agência Lusa

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