Processo de impeachment

PSOL mira Cunha: "processo de impeachment comandado por réu é ilegítimo"

  • Aílton de Freitas / Agência O Globo

    Ivan Valente (PSOL-SP), em seu discurso na Câmara: "Nós entendemos que, diferente da ideia da golpista Fiesp, quem é a favor do impeachment, não é contra a corrupção"

    Ivan Valente (PSOL-SP), em seu discurso na Câmara: "Nós entendemos que, diferente da ideia da golpista Fiesp, quem é a favor do impeachment, não é contra a corrupção"

Todos os seis deputados do PSOL, 19º partido a se pronunciar no plenário da Câmara no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, contestaram em seus discursos a legitimidade do presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em conduzir tal processo, uma vez que é réu em processo que corre no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeitas de recebimento de propina e lavagem de dinheiro.

As discussões sobre o processo de impeachment de Dilma começaram na sexta-feira (15), às 8h55 e, com isso, já duram quase 30 horas. Dos 25 partidos, já falaram.

Após apresentar o PSOL como uma legenda de oposição à esquerda, que não possui cargos no governo, o líder do partido e primeiro a discursar, Ivan Valente (PSOL-SP), comparou o processo de impeachment ao golpe civil-militar de 1964.

Para ele, não há argumentos para a derrubada da presidenta e "caçá-la por impopularidade ou por 'conjunto da obra', com todas as críticas que nós temos [...] é uma farsa."

Em sua fala, o deputado Jean Wyllys (RJ) se disse constrangido em participar de um processo de impeachment comandando por um "réu que se comporta como gângster". Para o deputado, a tentativa de afastar Dilma é um ataque contra as eleições diretas.

"A tentativa de perdedores ressentidos, conspiradores, traidores, da grande mídia, de forçarem uma eleição indireta, ilegal e imoral não tem outro nome: é golpe, golpe parlamentar", disse.

Tanto ele, como a deputada Luiza Erundina (SP) afirmaram que as chamadas pedaladas fiscais, um dos argumentos que constam no pedido de impedimento de Dilma, não são crimes, mas uma prática comum, utilizada amplamente por governantes atuais e anteriores na gestão de seus orçamentos, nas três esferas do governo, mas que é agora utilizada como álibi para tentar derrubar Dilma e fazer avançar uma agenda retrógrada e conservadora.

Erundina também criticou a permanência de Cunha, que se retirou do comando da sessão enquanto discursavam os deputados do PSOL, na presidência da Câmara, enquanto é réu no STF.

"Um processo [de impeachment] conduzido por um deputado réu, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, envergonha essa Casa diante da sociedade brasileira e enxovalha a imagem do Brasil no mundo", disse a deputada, ex-prefeita de São Paulo.

Apesar do PSOL se posicionar unanimemente contra o impeachment, chamado de golpe por todos os deputados da legenda, o partido não poupou críticas ao governo de Dilma Rousseff.

"Há um desrespeito da vontade popular expressa nas ruas, no último pleito presidencial, que não está sendo respeitado nem pela oposição nem pela situação. Dilma desrespeitou o programa pelo qual se elegeu, ao adotar politica econômica semelhante à de seus adversários", disse Erundina.  

Após lamentar que os parlamentares não tenham promovido uma reforma política ao longo dos últimos anos, Chico Alencar (RJ) reconheceu que a corrupção é um problema grave entre políticos petistas, embora o argumento não sirva para legitimar o processo de afastamento da presidenta que está sendo discutido na Câmara.

"Lamento que o PT tenha entrado no esquema [corrupto] que sempre criticou. Mas esse impeachment é uma fraude, um engodo", disse o deputado.

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