Brasília deve atender 100 mil crianças e jovens no dia D de vacinação

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

Brasília - Crianças e adolescentes são vacinados no Centro de Saúde nº 8, na Asa Sul, em Brasília, durante o Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação, que ocorre neste sábado em todo o Brasil (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Distrito Federal (DF) espera atender hoje (24) 100 mil crianças e jovens nos postos de saúde para verificar se as vacinas estão em dia. A Campanha Nacional de Multivacinação ocorre no país inteiro e, neste sábado, o Dia D, os postos de saúde estarão abertos para atender os que têm dificuldades de ir a esses locais durante a semana. O público-alvo da mobilização nacional são crianças menores de 5 anos e crianças e adolescentes de 9 anos a 15 anos. Brasília ampliou essa faixa e atende aos jovens até os 19 anos.

"Devido ao surto de caxumba no DF, ampliamos a campanha para os 19 anos", explica o secretário de Saúde, Humberto Fonseca. "O objetivo da campanha é completar os esquemas virais porque percebemos a reemergência de algumas doenças que estavam bem controladas em todo o Brasil, como coqueluche, caxumba, o sarampo. Para controlar essas doenças e evitar que elas voltem, o Brasil inteiro está mobilizado para fazer a imunização", explica. A expectativa é que, ao final da campanha, o DF tenha atendido a 80% das crianças e jovens na faixa etária.

Os postos funcionam desde às 8h, mas foi perto da hora do almoço que o movimento se intensificou no Centro de Saúde 8, localizado na 514/515 da Asa Sul.

Igor Souza, 12 anos, foi ao posto com a família. "Vim tomar de febre amarela, pelo que vi aqui as outras estão todas em dia", disse, mostrando o cartão de vacinação. Ele conta que a última vez que tomou vacina já faz um tempo. "Espero que não doa, já estou com medo de tomar essa nova vacina".

Ao lado, o irmão mais velho, Yan, 14 anos, dava coragem. "Vim atualizar aqui o cartão, participar da campanha". Alguns minutos após chegarem, Igor deixou a sala de vacinação com a mão no braço: "Doeu muito". Atrás, o irmão riu, "Não Doeu nada".

A médica da Secretaria de Saúde Fabiana Mendes segurava a filha, Sofia, de 1 ano, no colo, chorando após tomar uma vacina Pneumocócica 10-valente. "Não dá muita reação, mas dói", explica.

Houve também quem estava com a caderneta em dia e foi dispensado das gotinhas e picadas. Matheus, 9 anos, e Sophia, 3 anos, chegaram apenas até o balcão de atendimento. "Não precisou, está tudo certinho. Viemos porque às vezes aparece alguma vacina que não estava no calendário. Viemos para conferir", diz a mãe, Carla Lopes, jornalista.

"O importante é as pessoas levarem a caderneta de vacinação para que a equipe avalie se a vacina está em dia", reforça Teresa Segatto, diretora de Vigilancia Epidemiológica da Subsecretaria de Vigilância e Saúde. "Não se preocupe se levar o seu filho no posto de saúde com a caderneta e o seu filho não tomar vacina é porque o esquema está completo", orienta.

Postos fechados

A intenção era que quase todos os postos de saúde estivessem funcionando hoje, no entanto, muitas pessoas que foram a alguns desses locais se depararam com as portas fechadas. O administrador Alexandre Navarro é morador do Cruzeiro, mas teve que ir à Asa Sul para vacinar os três filhos. "Dois postos do Cruzeiro estavam fechados. Hoje, como é sábado, deveria ser um dia que está tudo aberto".

Segundo o secretário de Saúde do DF, até a noite de ontem 106 postos integravam a lista da Secretaria dos que estariam abertos. No entanto, na manhã de hoje, até às 11h, 72 abriram as portas. A Secretaria de Saúde faz uma ronda para verificar o funcionamento e diz que o número pode aumentar ao longo do dia. "Durante a semana tem 123 abertos. Estamos mobilizando os postos, mas alguns infelizmente ficaram fechados por conta da dificuldade que tivemos ontem para liberação da folga em dobro [aos trabalhadores por cumprirem jornada no final de semana]", justifica.

Campanha Nacional

A Campanha Nacional de Multivacinação começou no dia 19 e segue até 30 de setembro em cerca de 36 mil postos fixos em todo o Brasil. Ao todo, 350 mil profissionais participam da ação, além de 42 mil veículos, entre terrestres e fluviais, que irão assegurar a vacinação em locais de difícil acesso.

O público-alvo da mobilização são crianças menores de 5 anos e crianças e adolescentes de 9 anos a 15 anos. Devem comparecer aos postos todas as crianças e adolescentes nessa faixa etária, para que seja possível identificar quais doses estão em atraso ou devem ter o esquema iniciado. Serão disponibilizadas vacinas do calendário da criança e do adolescente, como tuberculose, rotavírus, sarampo, rubéola, coqueluche, caxumba, HPV, entre outras.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram enviadas a todas as unidades da Federação 26,8 milhões de doses - incluindo 7,6 milhões para a vacinação de rotina de setembro e 19,2 milhões de doses extras para a campanha. A pasta não fixou uma meta de pessoas a serem vacinadas, o objetivo é a redução das doenças imunopreveníveis e diminuir o abandono à vacinação.

Mudanças no calendário de vacinação

Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde alterou o esquema vacinal de quatro vacinas: poliomielite, HPV, meningocócica C (conjugada) e pneumocócica 10-valente.

O esquema vacinal contra a poliomielite passou a ser de três doses da vacina injetável (2, 4 e 6 meses) e mais duas doses de reforço com a vacina oral. Até 2015, o esquema era de duas doses injetáveis e três orais.

Já a vacinação contra o HPV passou de três para duas doses, com intervalo de seis meses entre elas para meninas saudáveis de 9 a 14 anos. Meninas de 9 a 26 anos que vivem com HIV devem continuar recebendo o esquema de três doses.

No caso da meningocócica C, o reforço, que era administrado aos 15 meses, passou a ser feito preferencialmente aos 12 meses, podendo ser feito até os 4 anos. As primeiras duas doses continuam sendo realizadas aos 3 e 5 meses.

A pneumocócica sofreu redução de uma dose e passou a ser administrada em duas (2 e 4 meses), com um reforço preferencialmente aos 12 meses, mas que pode ser recebido até os 4 anos.

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