Palocci e outros presos na Lava Jato serão levados para Curitiba

Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e seus ex-assessores, Branislav Kontic e Juscelino Dourado, presos temporariamente na 35ª fase na Operação Lava Jato, foram levados, às 12h20 de hoje (26), para o aeroporto de Congonhas, onde embarcam em um avião da Polícia Federal para Curitiba.

Os três foram presos no início da manhã de hoje e, inicialmente, levados para a Superintendência da Polícia Federal, na capital paulista, região da Lapa. Eles devem cumprir cinco dias de prisão. O último a chegar ao prédio da PF, pouco depois das 11h, foi Juscelino, preso em Campinas, interior de São Paulo.

Além das prisões, a polícia cumpriu mandados de condução coercitiva para sete pessoas, cujos nomes ainda não foram divulgados. Duas delas foram ouvidas na superintendência e duas não tiveram a presença confirmada. Outras três pessoas não terão a condução cumprida, uma em razão de viagem, outra por doença e outra por motivo desconhecido.

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que as acusações contra seu cliente são improcedentes. Segundo ele, a polícia suspeita que o "italiano", acusado de chefiar o esquema, seja Palocci, o que seria impossível de acordo com o advogado. Em uma das citações feitas por Marcelo Odebrecht, o italiano não estaria presente na cerimônia de diplomação de Dilma Roussef, mas Batochio garante que tem provas de que Palocci estava no evento, sentado na primeira fila.

Segundo a PF, Palocci teria ligação com o comando da empreiteira Odebrecht, uma das principais do país. A operação investiga se o ex-ministro e outros envolvidos receberam dinheiro para beneficiar a empreiteira em contratos com o governo.

BNDES e África

As negociações envolviam, de acordo com a denúncia, a Medida Provisória 460, de 2009, que tratava de crédito-prêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além do aumento da linha de crédito da Odebrecht no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um país africano, além de interferência em licitação da Petrobras para a aquisição de 21 navios-sonda para exploração da camada pré-sal.

Batochio criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao "estilo ditadura militar". "Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimada. É por causa do espetáculo?", disse.

Batochio afirmou ainda que causou indignação o nome dado à operação, Omertá, que significa lei do silêncio no código de honra usado pela máfia italiana. "Só porque ele tem um nome descendente italiano, como eu tenho também, além de ser absolutamente preconceituoso com os descendentes de italianos, essa designação é perigosa", disse.

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