Servidores protestam contra parcelamento de salário no Rio

Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil

Um protesto hoje (20) em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), centro da capital fluminense, reuniu funcionários públicos estaduais para protestar contra a decisão do governo do estado de pagar em parcelas o salário de novembro, sem 13º, para a maioria dos servidores ativos e pensionistas. Os trabalhadores da Educação e da Segurança tiveram o salário de novembro quitado em parcela única neste mês.

A temperatura de cerca de 40º não intimidou os manifestantes que ocuparam a Rua 1º de Março na altura do Palácio Tiradentes pela manhã e parte da tarde com faixas e cartazes contra o pacote de medidas. A manifestação foi organizada pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos (Muspe).

O professor de geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Paulo Alentejano, participa de manifestações por melhores salários e condições de trabalho da instituição desde o primeiro semestre, quando a universidade entrou em greve. "Agora estamos aqui não apenas pelos problemas vividos cotidianamente na universidade, como também pelos funcionalismo todo e pela população como um todo. Estamos falando de um pacote que ataca direitos, como de fechamento de restaurante popular, fim do aluguel social, desmonte do atendimento à população na saúde, educação, produzido pelo governo do estado", disse.

O presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), declarou ontem que os projetos do pacote de austeridade serão analisados somente no ano que vem e a Alerj devolveu parte do pacote ao governo. Apenas sete dos 22 projetos foram aprovados pela Alerj até o momento, após uma onda de protestos nas últimas semanas, alguns violentos.

O agente administrativo do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) Júlio César Peçanha recebeu o salário de novembro, mas foi à manifestação pelas demais categorias e pelos servidores inativos. "Nós tivemos nosso vencimento pago, porém nossos aposentados não receberam e os ativos de outras categorias também não e terão o salário parcelado", disse.

Júlio César disse que além do problema salarial, a instituição passa por problemas de superlotação das unidades. "Nosso sistema deveria comportar hoje mil adolescentes e estamos com mais de 2 mil adolescentes internados", disse. "É ruim para nós e para o adolescente que fica exposto a situações degradantes, o que é crime que está sendo cometido pelo Estado". Até o fechamento da matéria, o Degase não havia se posicionado sobre as afirmações do servidor.

Para a papiloscopista da Polícia Civil Alessandra Koren Chaendler, a sociedade precisa se engajar mais na luta por direitos. "A população tem que vir para a rua. Na votação do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço], os servidores estavam aqui, mas isso atinge a todos que pagam impostos. É importante pensar politicamente, exercer seu papel de cidadãos, conversa com os deputados, pois eles nos representam".

Alessandra diz que é necessário pressão social por mais transparência nas contas do estado e das isenções fiscais dadas pela administração estadual. Ao final da manifestação, os manifestantes expuseram as fotos de todos os parlamentares da Alerj e citaram um a um, colando adesivo de traidor nas fotos dos que não assinaram um documento de apoio ao servidores, redigido pelo Muspe. No texto, os deputados se comprometem a votar contra a elevação da contribuição previdenciária dos servidores, o adiamento dos reajustes prometidos a várias categorias nos próximos três anos e o congelamento de reajustes aos funcionários do Legislativo e do Judiciário estadual.

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