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Blitz de trânsito evitou que assalto à transportadora no Recife fosse maior

Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil

21/02/2017 22h04

O assalto à transportadora de valores Brinks, que deixou a zona oeste do Recife aterrorizada na madrugada desta terça (21), poderia ter sido ainda maior caso uma blitz de trânsito não estivesse coincidentemente instalada em local próximo ao estabelecimento. Com o primeiro confronto entre bandidos e policiais, o reforço foi acionado e pôde chegar antes do término da ação criminosa. O imprevisto impediu que a quadrilha roubasse um segundo cofre onde estava a maior parte do dinheiro. As informações foram divulgadas hoje (21) em coletiva de imprensa dos chefes das polícias de Pernambuco. De acordo com o comandante da Polícia Militar (PM), coronel Vanildo Maranhão, a blitz não tinha como ser prevista anteriormente porque ela é móvel. Na sua avaliação, o objetivo dos criminosos era proteger o perímetro da empresa e efetuar a explosão sem o conhecimento da polícia. "Quando a população ouvisse a explosão e ligasse para a emergência, que a gente chegasse lá, eles já teriam conseguido fazer o roubo. Tanto é que o segundo cofre, que tinha o maior valor, eles não conseguiram explodir", disse. Explosivos do tipo metalon foram deixados pra trás, o que indicaria que eles de fato queriam roubar o segundo compartimento. Muitos materiais também foram abandonados em vários pontos da cidade pelo grupo criminoso, formado por mais de 20 homens. Os objetos foram apresentados na coletiva de imprensa na sede do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), no Recife. Entre os objetos estão fios coloridos de explosivos, carregadores de rádio comunicador, carregadores de fuzil (alguns deles comportando 100 munições cada), balaclavas (uma espécie de máscara feita de malha de lã) e luvas, coletes a prova de balas, roupas que simulavam fardamento da Polícia Federal (PF), máscaras de gás, cilindros de oxigênio, um fuzil AK-47 e mais de 800 munições de vários calibres, com destaque para fuzis .556, .762x39 e .50 (três unidades de armamento usado em ataque antiaéreo), e também de espingarda calibre 12. Também foram apreendidos sete veículos abandonados pelos criminosos em diferentes pontos, incluindo dois caminhões Ford F400. Três dos carros, um vectra e duas hillux, eram blindados. "Os carros estavam pintados de preto, eles não seriam deixados se a ação não tivesse dado errado", diz o chefe da Polícia Civil (PC), Joselito Amaral. Um dos locais onde dois carros e os dois caminhões foram encontrados é o Círculo Militar (onde fica o local de treinamento de tiro de policiais), perto da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata. A polícia também encontrou a base da quadrilha, um galpão em um local não divulgado para não atrapalhar as investigações. Todo o material será analisado em busca de DNA e impressões digitais, segundo a diretora da Polícia Científica de Pernambuco, Sandra Santos. Elementos como copos descartáveis e garrafas de refrigerante podem ajudar a identificar algum integrante. Quadrilha interestadual O chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral, disse que o modus operandi dos bandidos é diferente de outros arrombamentos com explosivos ocorridos em Pernambuco, mas é semelhante a roubos registrados em outros estados. "A quadrilha é interestadual", disse na coletiva, mas informou que manteria as pistas sobre a origem da quadrilha em sigilo para o êxito das investigações. O valor roubado também não foi divulgado pelas corporações ou pela empresa assaltada. O roubo Os assaltantes visavam cofres da transportadora de valores Brinks, no Recife. A quadrilha explodiu um muro vizinho de uma loja de conveniências e teve acesso à empresa. Eles estavam fortemente armados. O confronto com policiais deixou moradores aterrorizados com os tiroteios prolongados e registrados em vídeos que circulam nas redes sociais.  Para fugir, os criminosos incendiaram veículos roubados dias antes e usaram para fazer piquetes em três vias nos arredores da empresa, o que transformou os locais em cenários semelhantes aos de guerra. No total, 138 policiais militares foram mobilizados na tentativa de conter o assalto. Até agora ninguém foi preso. Segundo o comandante da PM, os criminosos conseguiram fugir porque havia várias vias disponíveis para fuga.