Serraglio nega que tenha pedido anistia a Cunha: "defeito de interpretação"

Marcelo Brandão

Da Agência Brasil

  • Alex Ferreira/Câmara dos Deputados -12.abr.2016

    Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) fala durante reunião ordinária na Câmara em abril de 2016

    Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) fala durante reunião ordinária na Câmara em abril de 2016

O novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), negou qualquer intenção de obstruir as investigações da Operação Lava Jato feitas pela Polícia Federal (PF). Em entrevista concedida ao programa Nos Corredores do Poder, da TV Brasil, nesta sexta-feira (24), Serraglio disse que o Ministério da Justiça não vai interferir nos trabalhos da PF e acrescentou que a origem da pasta é administrativa e que sua atuação e a da PF não se confundem.

"[Não haverá] nenhuma interrupção na Lava Jato. A nossa ascendência é administrativa. O Ministério da Justiça não tem nenhuma interferência na investigação da Polícia Federal. Ela [a PF] é autônoma", disse Serraglio à repórter Mariana Jungmann.

O ministro também negou ter defendido anistia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que foi deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro. Serraglio explicou que a relação entre os dois estava limitada ao fato de serem do mesmo partido e trabalharem por pautas em comum, como o impeachment da então presidenta da República Dilma Rousseff.

O ministro acusou os veículos de imprensa de "defeito de interpretação" por dizerem que ele anistiaria Cunha, atualmente preso em Curitiba. Serraglio explicou que a situação de Dilma, na época do processo de impeachment, e de Cunha se assemelhavam por tratarem de fatos anteriores ao mandato que tinham e, por isso, falou em anistia para o ex-deputado federal.

"Nos jornais saiu que eu daria anistia para o Cunha. Isso é um defeito de interpretação. Foi apresentada a acusação do impeachment da Dilma, e a defesa tinha como maior argumento que ela só podia responder pelos atos praticados no atual mandato. Eu dizia que, se o PT estava dizendo isso, ele iria anistiar o Cunha, porque ele estava sendo acusado por questões anteriores, as contas na Suíça. Precisamos entender o direito como ele funciona", disse o deputado.

Serraglio foi confirmado ontem pelo presidente Michel Temer como novo titular da Justiça. Em nota divulgada pelo porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, Temer expressou "plena confiança" na capacidade de Serraglio para conduzir os trabalhos da pasta.

"Jurista e congressista com larga trajetória parlamentar na Câmara dos Deputados", Serraglio "traz sua ampla experiência profissional e política para o trabalho de levar adiante a agenda de atribuições sob sua responsabilidade", disse Parola. Serraglio substituirá Alexandre de Moraes, nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após ter sido indicado por Temer.

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