Justiça nega liberdade a lobistas da Operação Zelotes

De Brasília

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, decidiu nesta sexta-feira, 5, manter presos o lobista Mauro Marcondes Machado e a mulher dele, Cristina Mautoni, acusados de operar suposto esquema de lobby e corrupção para "comprar" medidas provisórias no governo federal. O caso, revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" em outubro, é investigado na Operação Zelotes.

Os advogados do casal haviam solicitado a sua libertação justificando que ambos têm relevantes problemas de saúde. Mauro sofreria de hipertensão, insuficiência renal e precisaria de implante de marcapasso. Cristina sentiria fortes dores em razão de uma cirurgia vascular nas pernas feita em outubro. No caso dela, a defesa sugeriu, alternativamente, a transferência para a prisão domiciliar.

O magistrado, na decisão, justificou que o caso de Mauro já foi analisado, não cabendo reconsideração agora. Quanto a Cristina, argumentou que ainda não foi feito um laudo judicial sobe suas condições de saúde. Ele determinou uma perícia a ser realizada na próxima quinta-feira, 11. Uma eventual saída do regime fechado dependerá da avaliação médica.

O juiz ainda destacou que a prisão do casal é necessária para conveniência da instrução criminal, ainda em curso, e garantia da ordem pública.

Cristina, inicialmente, cumpriu prisão preventiva em casa, pois se recuperava de uma cirurgia vascular. Em janeiro, contudo, a Justiça determinou a remoção dela para uma unidade prisional em Brasília, baseada em laudo médico da Polícia Federal que indicava estar apta ao regime fechado.

Cristina tem se apresentado de cadeira de rodas nas audiências da Zelotes e reclamado de condições inadequadas na cadeia. Após as queixas, foi transferida para uma sala especial na PF, a mesma em que ficou preso o senador Delcídio Amaral (PT-MS), detido na Operação Lava Jato.

Nesta sexta-feira, a Justiça ouve mais testemunhas de defesa de réus da Zelotes. O deputado federal José Guimarães (PT-CE) informou em ofício não ter o que declarar sobre os fatos investigados, o que ensejaria sua dispensa. Ele foi arrolado pela defesa do réu Eduardo Valadão como um dos congressistas que participaram da discussão das normas.

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