Violência no Rio

Corpo de estudante da UFRJ é encontrado no campus com sinais de espancamento

No Rio

  • Reprodução/Facebook

    O estudante Diego Vieira Machado, 30, foi encontrado morto com sinais de espancamento

    O estudante Diego Vieira Machado, 30, foi encontrado morto com sinais de espancamento

O corpo do estudante Diego Vieira Machado, 30, foi encontrado na noite deste sábado (2) numa das vias do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, na zona norte. Diego, que estudava letras e morava no alojamento da instituição, tinha marcas de espancamento.

O delegado Fábio Cardoso, que atua na Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro e é responsável por investigar a morte do estudante afirmou que o crime pode ter motivação homofóbica. "Diego era homossexual e vinha recebendo ameaças homofóbicas e racistas nos últimos dias. Então há uma linha forte de investigação que aponta que a motivação desse crime tenha sido homofobia", afirmou.

O corpo estava às margens da Baía de Guanabara e foi achado por volta das 18h. Ele estava sem roupas e sem documentos. Policiais da Delegacia de Homicídio da capital fizeram a perícia no local. A família do jovem é do Pará e foi avisada pela reitoria da UFRJ, que lamentou a morte do jovem em nota oficial. "A reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais", diz o texto.

Nas redes sociais, alunos da UFRJ iniciaram uma campanha por justiça. No perfil UFRJ Livre, os estudantes cobraram mais segurança no campus. "Nosso movimento, junto com toda a comunidade acadêmica, está de luto e indignado com este episódio lamentável e, independentemente do real motivo do crime, exige o imediato esclarecimento do caso e a consequente prisão do responsável ou dos envolvidos. Também exigimos que haja mais segurança no campus, com iluminação e patrulhamento."

Para os amigos de Diego Vieira Machado, o estudante foi vítima de um crime de motivação homofóbica. "Ele era teimoso, muito briguento. Mas só reagia aos ataques raciais e homofóbicos que sofria. Eu testemunhei algumas brigas. Ele era uma pessoa boa", contou a estudante de comunicação Pérola Gonçalves, 22, amiga de Machado.

A professora de Letras Georgina Martins também criticou, por meio das mídias sociais, a falta de segurança no campus. "Acordei hoje com meu filho chorando por conta dessa notícia horrível: um aluno da UFRJ, morador do alojamento, foi brutalmente assassinado dentro do campus por causa da sua orientação sexual. Ele foi morto a pauladas, ontem, dentro da Cidade Universitária, onde trabalhamos, estudamos e várias pessoas moram. Estou triste e com muito medo. Meu filho é gay, seus amigos são gays e circulam como deve ser, pelo campus do Fundão, todos os dias", escreveu.

"Dou aulas à noite, e assim como meus alunos e colegas de profissão, estamos à deriva pois não há transporte suficiente, não há iluminação, não há seguranças circulando pelo campus, não há ninguém que tome alguma providência. Desde sempre é assim, já denunciamos, já chamamos a imprensa e nada foi feito. Continuamos, à noite, abandonados no Fundão, torcendo para que o nosso ônibus chegue logo e nos tire daquele lugar escuro e deserto, como é o Fundão todas as noites e todos os fins de semana. Temos de liberar nossos alunos às 21h30, alguns muito antes disso, às 20h50, porque seus ônibus só circulam de hora em hora e eles moram longe, não moram na zona sul e não têm carro."

O site "Tem Local?", plataforma de mapeamento de crimes homofóbicos, se manifestou neste domingo a respeito da morte do estudante. "Diego, negro, gay, nortista, morador do alojamento, assassinado com requintes de crueldade na maior universidade do país, a UFRJ, no campus da Escola de Belas Artes, deu adeus a todos os seus sonhos de maneira precoce, compulsória, violenta e desumana", diz o texto. Os estudantes querem levar o tema da morte de Machado à reunião do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, marcada para às 9h desta segunda-feira.

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