Resultado da votação pela cassação foi o que mais abalou Cunha, dizem aliados

De Brasília

  • Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Ao contrário da imagem altiva que tentou passar ao deixar o plenário da Câmara após sua cassação, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não escondeu de aliados o abatimento. O pior, segundo aliados, não foi a aprovação da perda do mandato em si, que já era esperada, mas o placar do resultado: 450 a 10, além das nove abstenções.

Fontes revelaram que Cunha mal conseguiu dormir à noite, de tão abalado emocionalmente com o resultado. Ainda assim, manteve o tom beligerante e com os poucos com quem conversou, continuou disparando contra os que o abandonaram. "Ele virou um cachorro molhado na chuva, prestes a se chacoalhar", comentou um aliado.

Horas após a sessão que interrompeu sua carreira política, Cunha ligou para o vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), para agradecer. Marun foi o único a defender o ex-presidente da Câmara no plenário. "Já havia uma perspectiva de cassação, mas o placar foi muito ruim, me abalou também", afirmou Marun.

Durante a sessão, Cunha foi chamado de "bandido", "psicopata", "golpista" e "mafioso", principalmente pelos deputados da nova oposição. "Deve abalar, né? Mas ele se manteve firme", disse Marun. Em alguns momentos, o peemedebista embargou a voz e se emocionou ao apelar para os colegas, mas retomou o tom de enfrentamento, principalmente no final, quando acusou o governo Michel Temer de se associar ao PT para eleger Rodrigo Maia (DEM-RJ) e encampar a agenda da sua cassação.

Marun diz esperar que Cunha baixe o tom e saiu em defesa do Palácio do Planalto. "Não cabia ao governo enterrá-lo nem salvá-lo. O governo não interferiu", observou.

Com a cassação, fontes acreditam que o peemedebista partirá para a delação premiada. Marun aposta que Cunha não tem o que delatar. "Delação é coisa de bandido. Só defendi ele porque entendo que ele não é bandido. Ele não tem o que delatar", declarou.

Perdas

A perda do mandato já foi publicada no Diário Oficial, o que permitiu a exoneração dos funcionários do gabinete do peemedebista. Cunha já perdeu o direito a segurança da Polícia Legislativa, uso do carro oficial da Câmara e terá de deixar o apartamento funcional em Brasília nos próximos 30 dias. Os custos da mudança para o Rio de Janeiro terão de ser arcados pelo ex-deputado.

Técnicos da Casa ainda têm dúvidas se como parlamentar cassado, Cunha terá direito ao plano de saúde e a previdência privada dos ex-parlamentares.

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