Maia ainda busca brecha jurídica para disputar reeleição

Em Brasília

  • Luis Macedo/Câmara dos Deputados

    Maia foi eleito para terminar o mandato de Eduardo Cunha na presidência da Câmara

    Maia foi eleito para terminar o mandato de Eduardo Cunha na presidência da Câmara

Eleito para cumprir o restante do mandato do deputado Eduado Cunha (PMDB-RJ) após seu afastamento, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), busca uma brecha jurídica para que possa viabilizar sua candidatura à reeleição, mesmo que ela seja vetada. Segundo lideranças próximas a Maia, o deputado deve usar os mesmos argumentos apresentados pelo senador Garibaldi Filho (PMDB-RN), que assumiu a presidência do Senado em 2008, também para um mandato tampão, após o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixar o posto.

Para poder disputar a presidência do Senado em 2009, Garibaldi recorreu a vários juristas renomados que amparam a legitimidade de sua candidatura. Entre eles, estavam Francisco Rezek, ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal); Maurício Corrêa, ex-presidente da Corte; Diogo Figueiredo e Luiz Barroso, atual ministro do STF, à época professor UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

"Na parte jurídica, encontro-me numa situação bastante confortável, diante dos pareceres jurídicos que tenho", afirmou Garibaldi, na época. Ele acabou não concorrendo após ser "atropelado" pelas lideranças do PMDB, que lançaram o nome do então senador José Sarney, vencedor da disputa realizada contra Tião Viana (PT-AC).

"Vamos usar o caso do senador Garibaldi", afirmou um integrante do grupo mais próximo de Rodrigo Maia. A ideia do grupo do deputado fluminense é apresentar uma consulta à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara no próximo mês de dezembro para que, caso o entendimento seja favorável, Maia tenha tempo de articular sua candidatura à reeleição.

Argumentos

Uma das justificativas colocadas no parecer do ex-ministro Francisco Rezek que poderá ser utilizado pelo grupo de Maia é a de que a eleição para um mandato tampão ocorre fora da "normalidade" e que, por isso, o parlamentar eleito não poderia ser enquadrado no que prevê a Constituição.

"Parece, pois, que eleição de presidente fora dessas reuniões preparatórias, já no curso da sessão legislativa, e para mandato inferior a dois anos, não se submete às restrições do art. 57, § 4º, da Constituição, posto que, por força das circunstâncias, não se fez integralmente conforme suas prescrições", diz Rezek em trecho do parecer.

Ainda de acordo com a avaliação do ex-ministro do STF, a recondução vedada pela Carta vale para condições normais, nas quais não há renúncia ou interrupção do mandato anterior.

"A regra já não seria pertinente à situação daquele que, diante de fato anômalo, houvesse sido eleito num quadro metodológico também fora da normalidade, para uma complementação de mandato, que poderia ser de quatorze meses ou eventualmente de bem menos que isso", afirma o jurista em outro trecho apresentado por Garibaldi em 2008.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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