Gilmar Mendes abre sindicância para apurar vazamento de depoimentos de delatores

Rafael Moraes Moura e Beatriz Bulla

Em Brasília

  • Alan Marques/ Folhapress

    Gilmar Mendes, ministro do STF e presidente do TSE

    Gilmar Mendes, ministro do STF e presidente do TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, decidiu na noite desta sexta-feira (24) instaurar uma sindicância interna para apurar o vazamento dos depoimentos dos delatores da Odebrecht prestados à Justiça Eleitoral.

De acordo com a assessoria de imprensa do tribunal, os trabalhos serão coordenados pela presidência do TSE, com participação da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral.

Na manhã desta sexta, Gilmar criticou o vazamento dos depoimentos sigilosos prestados por executivos da Odebrecht no âmbito das ações que pedem a cassação da chapa formada em 2014 por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).

"Eu exijo que nós façamos a devida investigação nesses vazamentos lamentavelmente ocorridos. Isso fala mal das instituições. É como se o Brasil fosse um país de trambiques", disse ao participar de um seminário sobre reforma política no TSE.

Por meio de um despacho, o relator das ações no tribunal, ministro Herman Benjamin, autorizou na quinta-feira investigações sobre o vazamento atendendo a um pedido feito pela defesa de Dilma.

Segundo Gilmar, todas as providências para resolver o caso serão tomadas. "Acho que em todos os setores isso tem de ser feito. Vazamento feito por autoridade pública é crime. Tem de ser investigado e nós vamos investigar aqui", afirmou o presidente do TSE.

Fontes do TSE relataram que o relator Herman Benjamin levou um susto com a notícia de que trechos das delações foram divulgados. Os depoimentos dos delatores da Odebrecht prestados à Justiça Eleitoral estão mantidos sob sigilo.

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