Afundada em dívidas, Uerj tem pior momento; "Governo deu calote", diz associação

Clarissa Thomé

Rio

  • Fabio Costa/Fotoarena / Agência O Globo

    Campus de São Gonçalo sofre com falta de serviços como limpeza do mato que cresce na entrada principal

    Campus de São Gonçalo sofre com falta de serviços como limpeza do mato que cresce na entrada principal

A Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), 10ª colocada entre as 195 universidades brasileiras, segundo ranking da publicação britânica Times Higher Education do ano passado, amarga a pior crise de sua história. Afundada em dívidas, a instituição começou as aulas somente no dia 10 deste mês, depois de sucessivos adiamentos. Mas ainda não se sabe se há condições de retomar seu funcionamento.

O restaurante universitário permanece fechado, técnicos administrativos continuam em greve, bolsas de iniciação científica e as bolsas-permanências, voltadas para alunos cotistas, estão atrasadas, professores e servidores não recebem salários desde janeiro. A dívida do Estado com a folha de pagamento é de R$ 350 milhões, informou a reitoria.

"A situação é dramática. A universidade agoniza", resume Sérgio Duarte, aluno de Serviço Social e um dos 42 mil estudantes da instituição.

O primeiro sinal da crise veio no fim de 2015, quando o então reitor Ricardo Vieiralves encerrou mais cedo o período letivo por falta de limpeza e segurança no campus. Os funcionários, já sem receber havia meses, entraram em greve.

A situação só se agravaria. Dos R$ 90 milhões previstos para despesas com estrutura da Uerj em 2016, o Estado pagou R$ 15 milhões. Entre março e agosto, alunos, professores e técnicos administrativos entraram em greve. Os estudantes cursaram o que equivaleria ao primeiro semestre entre setembro e dezembro.

"Quando comecei a estudar aqui, a gente tinha estabilidade, as bolsas tinham regularidade. E tudo foi minguando. Faltariam três semestres para eu me formar, mas não sei quando vai acontecer, se vai acontecer. A gente tem medo de não se formar, de a Uerj fechar e a gente perder todo o investimento feito aqui", diz a estudante Maíra dos Anjos, de 34 anos, aluna de Psicologia do 8º período.

RJ deu calote, diz Asduerj

A Uerj foi a primeira universidade pública do País a adotar o sistema de cotas para negros, indígenas e egressos de escola pública, com corte por renda, a partir de 2003. São 9.300 estudantes que têm direito a uma ajuda de custo mensal de R$ 450 para passagem e alimentação.

Na volta às aulas, professores têm encontrado salas esvaziadas. "A gente não tem dimensão do tamanho do impacto. Há uma grande evasão estudantil, professores estão deixando a instituição, a procura pelo vestibular foi menor. Desde 2015, a universidade tem sofrido cortes no orçamento. O governo deu um calote na universidade", afirma Lia Rocha, presidente da Asduerj (Associação de Docentes da Uerj).

Em nota à comunidade acadêmica, a sub-reitora de Graduação, Tania Carvalho Netto, disse que foram levados em conta "o avanço no restabelecimento das condições mínimas de limpeza e de segurança", mas há a preocupação com o "prejuízo que os sucessivos adiamentos vêm impondo aos estudantes". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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