Menor suspeito de envolvimento em estupro coletivo de menina de 12 anos se entrega no Rio

Clarissa Thomé

Rio

  • Alexandre Cassiano/Agência O Globo

    A vítima prestou depoimento à polícia em hospital na segunda-feira (8)

    A vítima prestou depoimento à polícia em hospital na segunda-feira (8)

Um dos adolescentes suspeitos de participar do estupro coletivo de uma menina de 12 anos na Baixada Fluminense se entregou na manhã desta terça-feira (9). Ele foi levado pela mãe ao Fórum de Madureira, na zona norte da capital, e, de lá, para uma delegacia. A delegada Juliana Emerique, titular da Dcav (Delegacia da Criança e Adolescente Vítima), informou que vai buscar o adolescente.

A família do rapaz temia que ele fosse vítima de represália do tráfico, caso a polícia fizesse operação na favela em que moram. A menina foi estuprada há cerca de três semanas por ao menos cinco pessoas. Quatro foram identificados - três adolescentes e um maior de 18 anos.

De acordo com depoimento da criança, ela foi atraída à casa por uma pessoa amiga. Chegando lá, sofreu o estupro. Ela foi mantida por cerca de uma hora em poder do grupo. Eles filmaram a agressão e tentaram esconder o rosto da menina.

A partir de 30 de abril, as imagens começaram a ser divulgadas por redes sociais. Uma tia da criança reconheceu a sobrinha e denunciou o crime à Dcav.

A menina foi ouvida na segunda-feira (8). Muito franzina, escondia o rosto com um casaco de moletom. Ela foi levada ao Caac (Centro de Atendimento ao Adolescente e à Criança), no Hospital Municipal Souza Aguiar, onde recebeu tratamento profilático contra doenças sexualmente transmissíveis, passou por exame de corpo de delito, e foi ouvida fora do ambiente policial.

Um agente capacitado para entrevistas com crianças e adolescentes vítimas de violência conversou com a menina. O depoimento foi gravado, para que ela não tenha que repetir a história para policiais, promotor e juiz. Ela dormiu após ser medicada.

"A menina está muito abalada. Ela não esperava que o vídeo tivesse a repercussão que teve. E nem o julgamento da internet e das pessoas da comunidade. Estamos falando de um estupro de vulnerável, de uma menina de 12 anos", disse a delegada.

"É um susto muito grande para a vida de uma adolescente."

Facebook

Em uma parceria com a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, a Dcav pediu ao Facebook o "congelamento" dos dois grupos fechados que compartilharam o vídeo do estupro. A medida permite à polícia preservar as mensagens trocadas na rede social, mesmo que os perfis sejam apagados.

O Facebook também informou à delegada que vai retirar os vídeos publicados. Novos compartilhamentos também estão sendo monitorados.

A família da menina aceitou entrar para o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. A delegada evitou detalhar as ameaças que a jovem e sua família estão recebendo.

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