Após série de derrotas, PT se agarra à oposição a medidas impopulares para se reerguer

Ricardo Galhardo

São Paulo

  • Twitter/@HenriqueFontana

    10.mai.2017 - Antes da chegada de Lula, uma comitiva vinda de Brasília com cerca de 50 pessoas, incluindo deputados e senadores do PT e de partidos que apoiam o ex-presidente

    10.mai.2017 - Antes da chegada de Lula, uma comitiva vinda de Brasília com cerca de 50 pessoas, incluindo deputados e senadores do PT e de partidos que apoiam o ex-presidente

No último ano, o PT perdeu o governo federal, sofreu uma derrota histórica nas eleições municipais, viu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser transformado em réu em cinco processos por corrupção, viveu ameaça de debandada de prefeitos e parlamentares.

Agora o partido se agarra na oposição a medidas impopulares do governo Michel Temer, como as reformas trabalhista e da Previdência, e a dificuldades para retomada do crescimento econômico para tentar reconquistar a popularidade.

O presidente do PT, Rui Falcão, lembra que, apesar da crise, pesquisas mostram uma "recuperação acentuada" do partido que, hoje, tem mais simpatizantes do que PSDB e PMDB juntos. Segundo Falcão, isso se deve à luta do partido contra o impeachment de Dilma Rousseff e à impopularidade da gestão Temer.

"Nossa identificação com o combate ao governo Temer e suas medidas antipopulares, antinacionais, antidemocráticas ficaram muito sintonizadas com o conjunto do movimento popular e sindical", afirmou Falcão.

Petistas avaliam que a impopularidade de Temer também justifica em parte o surpreendente desempenho de Lula nas pesquisas. Ele lidera a disputa pela Presidência em 2018. "O governo Temer joga água no nosso moinho", disse o secretário-geral do PT, Romênio Pereira.

À vontade com o partido no papel de oposição, reconectado com sua base social, alguns petistas veem mais longe o risco de debandadas, mas notam um efeito colateral na recuperação: a manutenção do status quo que levou o PT à esta situação.

"Agora o medo é que os fisiológicos fiquem", afirmou Markus Sokol, líder da corrente O Trabalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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