Etíope apoiado pelo Brasil vai dirigir OMS

Jamil Chade

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) será dirigida por um africano. O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus foi eleito ontem para a direção da agência das Nações Unidas. O Brasil e os países emergentes votaram, em peso, a seu favor. Ele concorria com o inglês David Nabarro e a paquistanesa Sania Nishtar.

Na contagem final de votos, Adhanom ficou com 133 dos 185 possíveis. Sua vitória foi interpretada como um sinal de reprovação à atual gestão da entidade. Nabarro, que ficou em segundo lugar, era um "homem do sistema", apoiado pelos funcionários da entidade.

O africano é duramente criticado por ativistas de direitos humanos e ONGs. Seu país é um dos regimes autoritários do continente, e Adhanom foi chanceler de 2012 a 2016. Antes, era ministro da Saúde e foi acusado de esconder surtos de cólera.

Em sua plataforma, Adhanom prometeu dar mais atenção e recursos para países em desenvolvimento. Ele assume uma entidade em meio a uma séria crise de recursos e de imagem, com governos hesitantes em fazer doações para programas da OMS. Por isso, prometeu focar em "saúde para todos".

Ao Estado, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, explicou a opção do Brasil. "Conversei com todos os candidatos e achei que ele era a pessoa que estava mais alinhada com a visão que temos de como a OMS deve atuar", disse.

Um dos pontos que interessam ao País é a intenção de descentralizar o poder da agência, permitindo que iniciativas regionais, como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), assumam parte do trabalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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