Ministros são escalados para vender 'normalidade' no governo

Tânia Monteiro e Carla Araújo, colaborou Leonencio Nossa

Brasília

  • REUTERS/Adriano Machado

Em mais um dia de fatos negativos para o Palácio do Planalto, com a prisão de um assessor especial do presidente Michel Temer, e em meio à crise política provocada pela delação de executivos da JBS, ministros saíram em defesa do governo. Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil) foram escalados para tentar passar mensagem de normalidade e dizer que o "governo continua trabalhando".

Sem citar a operação desta terça-feira, 23, Moreira postou um vídeo nas redes sociais e afirmou que é preciso "independência e autonomia dos Poderes". "Que o Poder Judiciário, apoiado por todos nós, continue o seu trabalho. Que o Executivo permaneça firme, com compromisso de levar até o fim o que está escrito na 'Ponte para o Futuro', que é a trajetória para tirarmos o país da mais grave crise da história", afirmou.

O ministro citou ainda a importância de que parlamentares continuem votando a agenda de reformas do governo, como quer o presidente Temer, para mostrar que seu governo não está paralisado.

Padilha foi na mesma linha e voltou a falar da reforma da Previdência. "A reforma não saiu de pauta e serão cumpridos os prazos definidos pelo Congresso", completou.

Dificuldades

Temer está convencido que a luta política e jurídica será longa. A interlocutores, apesar de reconhecer o período mais difícil vivido por seu governo, o presidente tem repetido que terá disposição para "resistir, enfrentar e ganhar cada batalha".

Logo no início do dia, por mais que assessores se apressassem para tentar dissociar a imagem de Tadeu Filippelli, preso na operação ontem, da de Temer, nos bastidores, auxiliares reconheceram que a notícia amplia o desgaste já sofrido pelo governo. Assessores do presidente tentaram explicar que o motivo da prisão de Filippelli está relacionado a fatos anteriores ao Planalto. Auxiliares destacam que na "hierarquia" dos assessores especiais, Filippelli era o que menos tinha relação pessoal com o presidente, ao contrario de José Yunes e Rodrigo Rocha Loures que também acabaram afetados por denúncias.

Agenda

Durante o dia, Temer se dividiu entre o Palácio do Planalto e o Jaburu, em reuniões com advogados e telefonemas a parlamentares. Temer também passou o dia acompanhando as votações na Câmara e no Senado. O presidente sabe que precisa mostrar força política no Congresso e testar sua base, que faz ameaças de rupturas.

O governo também acompanha - via Gabinete de Segurança Institucional e por meio da equipe de mídia social - a organização dos protestos marcados para amanhã.

A avaliação preliminar é que a baixa adesão de domingo, que foi considerada positiva, não deve se repetir. Apesar disso, auxiliares minimizam a força de mobilização e dizem que mesmo no auge das polêmicas envolvendo Temer a oposição não conseguiu mostrar força e a ordem é evitar o tema até quinta-feira, 25. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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