Apoio a estudante pobre é desafio para evitar evasão alta

Isabela Palhares

São Paulo

  • Marcos Santos/USP Imagens

    Praça do relógio com edifício da reitoria atrás na USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista

    Praça do relógio com edifício da reitoria atrás na USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista

A proposta de implementar cotas para a rede pública foi considerada um avanço para especialistas ouvidos pelo Estado. Mas eles ressaltam que, sem outros mecanismos - como a reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas (PPI) ou critérios de renda -, há risco de a medida beneficiar só uma elite da escola pública, principalmente em carreiras concorridas. Eles também destacam a importância de e uma política de apoio ao aluno, para evitar a evasão.

Especialista em ensino superior pela USP, Elizabeth Balbachevsky elogia, mas faz ressalvas. A mudança, diz, pode ter efeito menor do que o desejado entre os pobres. Colégios militares, técnicos e federais têm seleção rigorosa, o vestibulinho, e recebem alunos de classe média. "Ainda assim é um avanço por democratizar o acesso, principalmente, a algumas faculdades, como Medicina e Poli.

Além disso, diz ela, a reserva de vaga pela cor da pele não é necessariamente uma boa saída. "A cota racial segrega pessoas iguais economicamente. Entendo e valido o argumento de que temos passado escravocrata e uma sociedade ainda fortemente discriminatória, mas essa divisão desprivilegia o aluno branco pobre e não o que estudou na escola particular."

Já para o diretor do cursinho da Poli, Gilberto Alvarez, o melhor modo de garantir real inclusão é pela reserva racial. "O critério mais justo é como o que há nas federais, que reserva dentro das cotas para escola pública um porcentual para PPI", diz.

E o reforço na política de assistência, acrescenta, é essencial. "Sem pensar em oferecer cursos noturnos, aumentar a moradia estudantil e dar bolsas, os alunos não vão concluir. O sucesso das cotas depende desse acompanhamento."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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