Medicina personalizada avança no País

Fernanda Bassette, especial para AE

São Paulo

Os médicos costumam descobrir se determinado medicamento é realmente eficaz para o paciente, ou se a relação entre o benefício e os efeitos colaterais é vantajosa, apenas depois que o tratamento começa. E, muitas vezes, a constatação demora a ser feita. Ainda pouco difundidos no Brasil, os testes farmacogenéticos - comuns nos Estados Unidos e na Europa - são uma ferramenta para ajudar o profissional a definir a terapia.

Resultado do avanço da medicina genômica, esses testes analisam a genética do paciente e a resposta que o organismo terá diante do contato com uma série de drogas. Isso porque as pessoas metabolizam os medicamentos de maneiras diferentes - alguns mais rapidamente, outros mais lentamente -, o que pode causar falhas no tratamento, como efeitos adversos e até sua total ineficácia.

"A medicina de massa tem a sua utilidade, mas a medicina de precisão, que individualiza cada vez mais o paciente, vem crescendo muito. O fato de você olhar para o perfil genético e definir qual será o melhor tratamento é uma tendência muito forte e cada vez mais presente", diz Jeane Tsutsui, diretora executiva médica, técnica e de pesquisa e desenvolvimento do grupo Fleury Medicina e Saúde.

Na maioria das vezes, os testes avaliam variações nas atividades enzimáticas e determinam se aquele medicamento que o médico prescreveu para o paciente vai funcionar corretamente ou não. Em outros casos, como no tratamento de câncer, por exemplo, o paciente já toma determinada droga e o teste vai avaliar mutações daquele tumor e indicar a probabilidade de a resposta ser a esperada.

Há testes para análise da eficácia de diversos medicamentos, como psiquiátricos, dermatológicos e oncológicos. Nos últimos anos, a cardiologia foi quem mais ganhou espaço, tanto na identificação de possíveis mutações genéticas quanto para a avaliação da eficácia de drogas.

De olho nesse mercado, o médico Mário Grieco, ex-presidente de uma farmacêutica, trouxe para o País o teste cardiogenético que analisa o metabolismo da enzima CYP2C19 e a resposta do organismo ao medicamento Clopidogrel - droga de antiagregação plaquetária, usada para afinar o sangue e impedir a formação de trombos. Esse é um dos remédios mais utilizados por pessoas com doenças coronarianas que possuem stents (dispositivos para manter os vasos sanguíneos desobstruídos) ou sofreram um AVC. Em dois anos foram realizados cerca de 5 mil exames genéticos no Brasil - cada um ao custo de R$ 500. Nos Estados Unidos, o teste é de rotina, e a própria bula do medicamento apresenta a orientação.

O empresário Adriano Afonso Soeiro, de 70 anos, foi um dos beneficiados. Ele fez o teste após sofrer um AVC, descobrir que estava com artérias entupidas e colocar 4 stents. A coleta para o exame ocorreu em casa, por meio da raspagem da parte interna das bochechas. O resultado demonstrou que ele precisa tomar o Clopidogrel duas vezes por dia. "Foi muito simples e estou bem. Vida normal."

Acesso

Para Riad Younes, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a personalização não envolve apenas o medicamento, mas uma série de tecnologias, e a principal dificuldade e torná-las acessível. "A tecnologia nos mostra o medicamento certo para a pessoa certa, mas aplicar isso no Brasil ainda é um problemão. Os doentes não têm acesso e muitos médicos nem sabem que a tecnologia existe." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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