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'A ideia é ter o maior número exclusivo de policiais na Lava Jato', diz novo superintendente

Rodrigo Félix Leal/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Rodrigo Félix Leal/Futura Press/Estadão Conteúdo

Ricardo Brandt e Fausto Macedo

Dw Curitiba

12/01/2018 10h32

O novo superintendente da Polícia Federal no Paraná, Maurício Leite Valeixo, afirmou que haverá "reforços" e volta de atuação "exclusiva" da equipe para conclusão das investigações da Operação Lava Jato em Curitiba, onde começaram as apurações sobre corrupção na Petrobras, em março de 2014.

"O objetivo é uma concentração de esforços para concluir procedimentos pendentes. Concluir todas as investigações", disse Valeixo, de 50 anos, ao Estado.

O sr. já tem um diagnóstico da situação na PF do Paraná, para um planejamento para 2018?

A prioridade que nós temos é com a equipe da Lava Jato que permanece. Isso já foi encaminhado para Brasília, o planejamento operacional, com relação ao apoio de pessoal e recursos para a Lava Jato em 2018. Foi encaminhado para o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, doutor Eugênio Ricas, que já concordou com o planejamento.

O sr. pode falar o que pediu nesse planejamento?

A ideia com relação à Lava Jato é uma concentração de esforços em 2018: reforço de policiais, peritos, analistas e delegados para uma concentração de esforços para condução das linhas de investigação que estão tramitando no Paraná.

Então a Lava Jato não acaba em 2018, em Curitiba? Há muito trabalho ainda?

Exato. O objetivo é uma concentração de esforços para concluir procedimentos pendentes, a ideia é concluir todas as investigações, em uma concentração de esforços.

O sr. pediu aumento de efetivo?

Sim. É um planejamento operacional. O pleito envolve um recurso específico para a Lava Jato, como já ocorreu em anos anteriores, então vêm recursos para a superintendência, mas só para utilização na Lava Jato. Para diária, passagens…

Os policiais vão voltar a atuar com exclusividade na Lava Jato, como ocorria antes do fim do grupo de trabalho, em 2017?

A ideia é, com essa concentração de esforços, ter maior número possível de policiais dedicados exclusivamente às investigações da Lava Jato.

Há muito trabalho para 2018? Decifrar os dados do Drousys, sistema de comunicação da Odebrecht, é um deles?

Há uma expectativa. O sistema Drousys está em fase de análise para fins de perícia, então, pelo volume de informações que ele contém, há uma expectativa de muito trabalho.

A Lava Jato corre o risco de acabar?

A Lava Jato como modelo de combate à corrupção é algo definitivo no Brasil. Não vai acabar.

Naturalmente, o trabalho tem linhas ascendentes, com muito trabalho (em uma fase), mas chegou a um determinado momento, no Paraná, que atingiu investigados com prerrogativa de foro e passou para o Supremo (Tribunal Federal). Você pode ver isso como esvaziamento? Não, isso é um processo natural de uma investigação que acaba atingindo determinadas esferas.

O sr. defende o acesso aos inquéritos policiais?

Considerando o perfil da investigação… estamos falando de recursos públicos. Eu defendo a publicidade, desde que não haja prejuízo às investigações. Tem de tomar cuidado para que não seja feito no momento errado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".