Assassinatos em Fortaleza aumentaram 96% no ano passado

Juliana Diógenes

São Paulo

A maior chacina do Ceará, que deixou 14 mortos na periferia de Fortaleza, ocorre dias após a divulgação das estatísticas criminais pelo governo estadual. Os dados confirmaram que o Estado atingiu em 2017 um número recorde de homicídios em toda a história.

No ano passado, foram 5.134 assassinatos, ante 3.407 em 2016. O crescimento é de 50,7%. O maior aumento ocorreu em Fortaleza, que registrou salto de 96,4% na quantidade de homicídios. No ano passado, foram 1.978 assassinatos; em 2016, houve 1.007 registros.

A região metropolitana de Fortaleza também registrou aumento: de 801 assassinatos em 2016 para 1.292 no ano passado. O crescimento foi de 60%. Em outubro do ano passado, o Estado já havia registrado o mês mais violento da história. O ano de 2017 foi o mais violento já registrado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) desde que a pasta alterou a metodologia de contagem de crimes.

A chacina

Um grupo de homens fortemente armados invadiu na madrugada de sábado, 27, uma festa no bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza, e atirou contra os participantes. Até as 12h30, a Polícia Civil falava em 14 mortos - a maioria mulheres - e seis feridos em estado grave, entre eles três adolescentes de 16 anos e um de 12. A chacina, considerada a maior da história do Ceará, teria ligação com a guerra de facções criminosas.

A festa acontecia na casa noturna Forró do Gago, localizada na Rua Madre Tereza de Calcutá. De acordo com testemunhas que pediram para não se identificar, por volta de 00h30 de sábado, homens que estavam em três carros pararam em frente ao local, desceram e dispararam a esmo contra as pessoas.

Segundo fontes não oficiais, o evento era promovido por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que nasceu no Rio de Janeiro, e hoje tem forte presença nos presídios nordestinos e domina o tráfico de drogas no Estado do Ceará.

As execuções, de acordo com informações não oficiais, estão sendo atribuídas à facção rival Guardiões do Estado (GDE). Em entrevista coletiva realizada na tarde deste sábado, o secretário de Segurança Pública do Ceará, André Costa, não confirmou que haja ligação da chacina com o crime organizado.

'Difícil evitar'

Horas após o massacre, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, afirmou em coletiva de imprensa que a chacina na festa de forró, na periferia de Fortaleza, foi um evento isolado. "No mundo todo, tem situações em que se matam 50 pessoas, 60 pessoas em boates. É uma situação criminosa que foi organizada, que foi planejada e que veio a ser executada", disse.

Costa negou estar havendo perda de controle do Estado com relação às facções criminosas no Ceará e comparou o episódio a situações como as que ocorrem em outros países, como os Estados Unidos.

"Não é que haja perda de controle. São ações que acontecem inclusive em outros países, como os Estados Unidos. São situações que pessoas entram em um local, tem tiroteio e se mata dezenas de pessoas. É difícil evitar e a população sabe. Mas também tem situações que a inteligência se antecipa e evita e, como evita, não vira notícia. Mas, infelizmente, veio esse fato hoje, que não se conseguiu evitar", declarou o secretário.

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