Testemunhas protegidas faltam a júri de PM acusado de chacina

Felipe Resk

Testemunhas protegidas que acusaram policiais de participar da chacina de Osasco, em 2015, não apareceram no Fórum Criminal para o júri do PM Victor Cristilder, acusado de participar da série de ataques que terminou com 17 mortos na Grande São Paulo. O julgamento começou nesta terça-feira, 27, com depoimento de policiais que investigaram o caso.

Um dos que faltou no Tribunal, a "testemunha Beta", reconheceu Cristilder como autor de disparos que matou um homem em Carapicuíba, também na Grande São Paulo, uma semana antes da chacina. O PM também é réu deste processo, ainda sem data para o júri.

"Não sei nem se está viva", afirmou a defensora pública Maíra Coaraci Diniz, que está atuando como assistente de acusação. Houve um bate-boca com o advogado de defesa João Carlos Campanini. "Você sabe o que acontece com quem denuncia policiais em Osasco", disse Maira. O defensor respondeu: "Você está viajando".

Beta estava do lado da vítima quando o homem foi assassinado. Na delegacia, também relatou ter visto o PM jogar o corpo em um córrego. Ele apontou Cristilder como um dos responsáveis por atirar por meio de reconhecimento fotográfico, na Corregedoria da PM, e presencial, no DHPP.

Sem a presença da testemunha no júri, o relato que ela teria dado foi informado por policiais da força tarefa, que foi montada na época da chacina. Entre elas, a de ter visto, na tarde antes da chacina, o réu em um Sandero prata, usado nos crimes. O veículo nunca foi localizado.

Nos depoimentos, a defesa de Cristilder explorou informações prestadas por Beta que não foram confirmadas na investigação, como uma suposta residência do réu e veículos que ele utilizaria. Campanini também chamou atenção para o apelido de Boy, atribuído a Cristilder, que seria de outro PM. A estratégia era mostrar que o réu foi confundido.

Principal prova contra o PM Thiago Heinklain, condenado a mais de 140 anos de prisão pela chacina, a testemunha Gama também não apareceu. A sua presença gerava expectativa, uma vez que após o julgamneto ele protocolou uma carta na Corregedoria da PM dizendo que havia mentido e que Heinklain seria inocente.

Vinte e cinco testemunhas haviam sido arroladas para este júri, mas três faltaram. Outras duas foram dispensadas.

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