Composto reduz toxinas ligadas a Alzheimer em células cerebrais

Fábio de Castro

São Paulo

Um composto experimental desenvolvido por cientistas Universidade de Washington (Estados Unidos) foi capaz de reduzir a produção de uma toxina ligada à doença de Alzheimer em células cerebrais produzidas em laboratório. De acordo com os autores da pesquisa, os resultados abrem caminho para uma nova abordagem para terapias e até mesmo prevenção contra o Alzheimer.

O novo estudo foi publicado nesta quinta-feira, 1º, na revista científica Cell Reports. Os pesquisadores utilizaram células-tronco para produzir células cerebrais humanas e, assim, estudar in vitro as propriedades do novo composto.

De acordo com os autores, a doença de Alzheimer é um tipo de demência causada por danos ou pela destruição de células do cérebro. O tecido cerebral de pessoas com a doença apresenta uma aglomeração de dois tipos de proteínas: a beta amiloide - que se acumula do lado de fora das células cerebrais - e a proteína Tau, dentro das células.

Segundo os cientistas, essas duas proteínas tóxicas causam a morte das células do cérebro que é observada nos pacientes de Alzheimer. Estudos recentes sugerem que a causa do acúmulo dessas proteínas é um defeito no sistema que as transporta no interior das células. As proteínas são transportadas em "pacotes" chamados endossomos.

O estudo mostrou que a aplicação do novo composto nas células cerebrais produzidas em laboratório estimulou a função da rede responsável por distribuir os endossomos nas células, levando a uma redução na produção de beta-amioloide e de um precursor da proteína Tau.

De acordo com a autora principal do estudo, Jessica Young, professora de patologia da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Seattle, a descoberta pode levar a uma promissora estratégia contra o Alzheimer, com foco nos defeitos da rede endossômica como alvo para o desenvolvimento de novas drogas e terapias genéticas.

Para realizar o novo estudo, a equipe coordenada por Young obteve células da pele de pacientes com Alzheimer e de pacientes que não apresentavam sinais de demência. Como todas as células de uma pessoa possuem o mesmo genoma, as células da pele de pacientes com Alzheimer contêm as mesmas mutações genéticas que afetam as células do cérebro dos pacientes.

Os cientistas então utilizaram uma técnica biotecnológica para reprogramar as células da pele para que elas se transformassem em células-tronco de pluripotência induzida - que são capazes de se diferenciarem em qualquer outro tipo de célula. Com isso, os cientistas criaram neurônios que tinham o mesmo código genético dos pacientes que forneceram as células de pele.

As células artificiais feitas a partir das células da pele dos pacientes de Alzheimer têm a mesma tendência a gerar um excesso de proteína amiloide beta e do precursor da proteína Tau que as células cerebrais dos pacientes.

Com isso, os cientistas puderam medir as variações na produção das proteínas tóxicas nos neurônios derivados de células-tronco. O objetivo dos cientistas era testar se um aumento da função da rede endossômica, em um contexto de laboratório, poderia afetar as proteínas tóxicas em células humanas.

Os pesquisadores então testaram um composto que, em experimentos anteriores com animais, havia se mostrado capaz de estabilizar e estimular a função de um conjunto de proteínas que direciona para os locais certos da célula os "pacotes" de endossomos.

O composto, chamado R33, aumentou a função desse conjunto de proteínas, estimulando o sistema endossômico e levando a uma considerável redução na produção das duas proteínas tóxicas, segundo os autores do estudo.

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