Gleisi cita caso Alckmin e diz que Justiça protege o PSDB

Pedro Venceslau, enviado especial

Curitiba

  • Theo Marques/UOL

    8.abr.2018 - Senador Gleisi Hoffman durante vigília do PT nos arredores da sede da PF em Curitiba

    8.abr.2018 - Senador Gleisi Hoffman durante vigília do PT nos arredores da sede da PF em Curitiba

Em discurso realizado na noite desta quinta-feira (12), no ato político do acampamento de militantes em defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Curitiba, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), criticou duramente a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), enviou para a Justiça Eleitoral de São Paulo o inquérito que investiga o ex-governador paulista e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin.

"Teve um caso que mostra a seletividade da Justiça: Alckmin foi acusado de receber R$ 10 milhões de propina da Odebrecht. O STJ falou que era caixa 2 e devolveu para a Justiça Eleitoral. O tratamento é feito com dois pesos e duas medidas. A Justiça protege o PSDB", disse a petista, em seu discurso.

O tucano é suspeito de ter recebido doações, via caixa dois, da empreiteira Odebrecht que, somadas, chegariam a R$ 10,7 milhões durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Na prática, a decisão do STJ tira o ex-governador da mira da Lava Jato.

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No discurso, Gleisi falou também do senador tucano Aécio Neves (MG). "Aécio foi citado gravado (em conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS) dizendo que ia matar gente e ainda pediu dinheiro, e a Justiça liberou ele da prisão." Hoje, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, recusou pedido da defesa e manteve a análise da denúncia contra o senador mineiro, na Corte Suprema, para a próxima terça-feira, 17. Além do crime de corrupção passiva, Aécio é denunciado por obstrução de Justiça, no inquérito instaurado em maio de 2017, com base na delação da JBS.

A presidente nacional do PT teceu ainda críticas ao juiz Sérgio Moro, dizendo que ele politizou o judiciário e comprou uma briga política. "Hoje sua rejeição é maior que a do Lula", frisou. E argumentou que o ex-presidente, detido desde sábado, 7, em uma sala da Polícia Federal de Curitiba, "está praticamente em regime de solitária". Ela disse ainda entender que os vizinhos do prédio onde Lula está encarcerado estejam chateados. "Não é fácil ter barraca na frente de casa. Eu particularmente não acharia nada agradável. Mas trouxeram o Lula para cá e nós viemos."

O ato em Curitiba reuniu cerca de 100 pessoas. No final, todos deram o tradicional "boa noite" coletivo a Lula, como fazem todos os dias, além do "bom dia". O Instituto Lula divulgou nota dizendo que o petista se emociona com as cartas que recebe e consegue ouvir as manifestações de apoio do lado de fora da prisão.

Nesta quinta-feira, o ex-presidente recebeu pela primeira vez a visita de seus familiares. Eles deixaram a PF de Curitiba por volta das 17h e saíram rapidamente, sem dar entrevistas e não visitaram o acampamento.

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