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Inep tem segundo presidente demitido neste ano

Renata Cafardo

São Paulo

17/05/2019 07h42

O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), Elmer Vicenzi, foi demitido nesta quinta-feira, 16. Ele estava no órgão, ligado ao Ministério da Educação e responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), desde 29 de abril. É o segundo chefe do Inep a sair do cargo este ano.

Segundo a reportagem apurou, Vicenzi estava em meio a uma disputa com integrantes da procuradoria, a área jurídica do órgão, e acabou demitido. Ele defendia a divulgação dos dados produzidos pelo Inep, como avaliações e indicadores educacionais. A procuradoria é a favor do sigilo dos dados, que envolvem informações de alunos e escolas. Os advogados do Inep ameaçaram pedir demissão, caso houvesse política de divulgação dos dados.

Vicenzi chegou a solicitar a liberação dos dados ao vice-procurador, que se negou a atender ao pedido porque a procuradora-chefe estava de férias. Após a recusa, Vicenzi quis demitir o funcionário. Hoje, as informações não são passadas ao público individualmente, mas por escola, cidade ou Estado. Os nomes dos alunos são protegidos. O Inep faz, por exemplo, censos educacionais, que recolhem dados de todos os estudantes.

Ex-delegado da Polícia Federal, Vicenzi assumiu após a demissão de Marcus Vinicius Rodrigues, que caiu por acabar com a avaliação de alfabetização. Oficialmente, o MEC informou que ele teria pedido demissão. Mas, segundo a reportagem apurou, o ministro Abraham Weintraub defenderia a mesma posição de Vicenzi sobre os dados. Não conseguiu, no entanto, mantê-lo, diante da pressão.

Havia divergências também sobre o Enem, cujas inscrições acabam hoje e já passaram de 5 milhões. É a primeira baixa do MEC sob Weintraub. A pasta ficou marcada por uma série de demissões quando Ricardo Vélez Rodríguez era o ministro.

Exame

Vicenzi elogiava a forma atual do Enem e inutilizou o relatório de uma comissão formada na gestão anterior para analisar a "adequação" das questões. A ideia, considerada uma censura, era a de que o grupo identificasse questões com "teor ofensivo". Ele chegou a declarar que os itens (perguntas da prova) são bens públicos e não poderiam ser jogados fora. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.