Por que os italianos falam com as mãos?

Por Gisele Sartini e Luciana Ribeiro SÃO PAULO, 23 FEV (ANSA) - Um dos costumes mais marcantes dos italianos é o ato de "falar com as mãos". Na Itália, os gestos não são apenas parte da comunicação, como também viraram uma característica que individualiza o povo e que foi repassada para outras nacionalidades, como a brasileira, graças à imigração italiana entre os anos 1880 e 1930. Em entrevista à ANSA, o especialista em linguagem corporal Paulo Sérgio de Camargo afirmou que não há uma explicação científica comprovada para tal fenômeno, mas que uma das teorias é que "os italianos tendem a ser mais extrovertidos, mais comunicativos, e pessoas assim fazem mais gestos, falam mais com as mãos e com o corpo" .   


Outra possibilidade seria a de que, durante o Império Romano, aqueles que assistiam aos discursos dos grandes oradores da época passavam a imitá-los. Existe ainda a teoria que diz que a península itálica, por estar em um ponto estratégico no Mar Mediterrâneo, foi palco de invasões durante toda a história, misturando povos e criando sinais para a comunicação. "Com pessoas de origens e línguas tão diversas, a comunicação acontecia por meio de gestos", disse a diretora da Escola Aliança Cultural Italiana, Rosana Labatte, ressaltando que a tradição acabou perdurando até hoje. Este costume também passou para os brasileiros, que, com a profunda influência italiana, tornou-se um dos povos a utilizar os gestos, enquanto em muitas outras culturas o contato manual é visto como falta de educação.   


"Quem utiliza as mãos são os brasileiros e os italianos, povos mais carismáticos, que demonstram alegria. A origem da nossa linguagem corporal e do nosso modo de falar é italiana", afirmou o especialista e dono do Instituto de Micro Expressões Faciais e Linguagem Corporal, Marcos Roberto.   


De acordo com a italiana Angela Angoretto, que vive no Brasil há mais de 20 anos, "o ato de falar com as mãos não é consciente, é involuntário, quase uma característica genética de um povo que deseja se comunicar sem se preocupar com censura social". Alguns gestos que nasceram na Itália se universalizaram pelo mundo, como é o caso do famoso "dedo do meio", que ficou popular nos Estados Unidos após o jogador de beisebol italiano Charles Radbourn tirar uma foto fazendo o sinal em 1986. O Imperador Calígula, que regeu Roma do ano 37 ao 41 d.C., quando foi assassinado, costumava colocar um anel no dedo médio e fazer seus súditos beijarem-no como forma de humilhação, o que atribuiu o significado pejorativo ao gesto.   


Outros gestos típicos italianos são o ato de balançar a mão ao dar tchau a uma pessoa; bater a mão contra o estômago quando está com fome; fechar a mão com o polegar estendido em direção à boca para convidar alguém para beber; e um dos mais conhecidos, que é fechar a mão e movimentá-la com os dedos unidos para demonstrar insatisfação. Mas, para o psicólogo clínico na abordagem psicanalítica Renato Mandarano, a utilização de gestos para se comunicar às vezes pode estar associada à ansiedade. "As pessoas também manifestam conteúdos inconscientes através dessa comunicação. As emoções são universais, uma vez que povos de diferentes regiões do mundo são capazes de identificar as mesmas expressões. Desta forma, independentemente da cultura, o corpo sempre fala. A atividade não verbal é reveladora assim como o discurso oral", ressaltou Mandarano. (ANSA)
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