Após Grã-Bretanha, República Tcheca ameaça sair da UE

BERLIM, 29 FEV (ANSA) - O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, afirmou que é favorável em criar um referendo sobre a saída do país da União Europeia, ao estilo do que a Grã-Bretanha fará em junho. Em entrevista ao portal "Parlamentnilisty ", o mandatário falou sobre o bloco e sobre a política para imigrantes implantada com a ajuda da Alemanha.   

"Eu sou da parte que é contrária à saída da União Europeia, mas sou adversário daqueles que querem impedir a possibilidade de uma votação sobre a questão", destacou Zeman.   

Segundo uma pesquisa realizada pela agência Stem, e publicada pelo jornal "The Telegraph", três quintos da população tcheca afirma estar "infeliz" na União Europeia e 62% disseram que votariam contra o sistema de cotas imigratórias imposto pelo bloco ao país.   

A fala de Zeman é um reflexo de uma entrevista dada pelo primeiro-ministro tcheco, Bohuslav Sobotka, que afirmou na semana passada que "se a Grã-Bretanha deixar a União Europeia, nós poderemos esperar debates sobre abandonar a UE em alguns anos". Para ele, se os britânicos optarem pelo "sim" no dia 23 de junho, isso terá "um provável grande impacto" em todas as nações europeias.   

Ao citar os "erros" da chanceler alemã Angela Merkel, Zeman afirmou que sua nação não está querendo "iniciar uma nova Guerra Fria", mas voltou a pedir o controle de fronteiras para identificar os imigrantes. Segundo ele, a Alemanha "deveria ter teto zero para solicitações de asilo", mas "Merkel é generosa".   

O mandatário ainda afirmou que a cultura islâmica é "incompatível" com a europeia, por isso refuta aceitar tantos estrangeiros do Oriente Médio.   

A grande diferença entre os tchecos e os britânicos são as motivações para deixar o bloco. Enquanto os últimos apontam questões econômicas e de poder de veto dentro da União Europeia, Praga tem na crise imigratória sua principal objeção à política do grupo.   

O país é membro do chamado Viségraad (V4), ao lado de Hungria, Polônia e Eslováquia, e critica como a UE está lidando com a crise imigratória - a maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo esses países, a Grécia é a principal responsável por não controlar corretamente suas fronteiras e deixar passar milhares de pessoas sem nenhum tipo de identificação.   

O V4 é defensor ferrenho da volta dos controles nos postos de fronteira de cada Estado-membro, colocando em risco o Tratado de Schengen, que define a livre circulação de pessoas e mercadorias no bloco econômico. A "briga" do grupo é causada por eles fazerem parte da famosa "Rota dos Balcãs", que começa em território grego. De lá, os imigrantes partem à pé em uma rota pela Macedônia, Sérvia, Croácia, Eslovênia com destino final na Áustria ou na Alemanha. (ANSA)
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