O que esperar do governo de Michel Temer? (2)

SÃO PAULO, 31 AGO (ANSA) - Continuação.   


Economia - No âmbito financeiro, o professor de economia da Universidade Mackenzie, Agostinho Celso Pascalicchio, afirma que será preciso fazer "ajustes fiscais e tributários que permitam a criação da base para despesas do governo". Com isso, será possível "adequar as receitas para esse gasto".   


Pascalicchio define o momento no curto e médio prazo como "um processo doloroso e cuidadoso", no qual reformas e ajustes tributários podem ser feitos como alternativa para colocar a economia brasileira novamente no rumo.   


Questionado se o governo Temer pode sofrer com os mesmos problemas enfrentados por Dilma para aprovar reformas, Pascalicchio não acredita que isso se repetirá. "E, se demorar muito esse processo [de aprovação], é possível fazer a adequação de contas, como financiamentos, emissão de títulos públicos, empréstimos internacionais que não provoquem desequilíbrio fiscal. Ainda tem a emissão de moeda, que, apesar de ser uma medida inflacionária, pode ser compensada com a emissão de títulos públicos", ressalta o especialista.   


Para ele, o fato de Temer deixar de ser interino fará com que a situação político-econômica se estabilize. "O mercado já previa o impeachment. As bases e as expectativas sobre ele [Temer] são muito melhores que as anteriores. Os impactos negativos sobre a área de negócios serão bem reduzidos", finaliza.   


Projetos sociais - Em seu discurso final à frente do Senado, Dilma anunciara que, assim que tomasse posse, Temer seguiria uma linha de "revisão" dos programas sociais, tão caros aos governos do PT.   


Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", ao menos cinco projetos devem ser "repaginados", entre eles o "Bolsa Família" e o "Minha Casa, Minha Vida". Programas como o "Ciência sem Fronteiras" já sofreram cortes.   


Dilma ainda defendeu que o governo Temer retirará direitos sociais e trabalhistas e aumentará a idade mínima para a aposentadoria. Em nota, o Planalto negou as acusações. "Todas as propostas do governo Michel Temer são para assegurar a geração de emprego, garantir a viabilidade do sistema previdenciário e buscar o equilíbrio das contas públicas. E todas elas respeitarão os direitos e garantias constitucionais".   


No comunicado, o governo também rechaçou estipular idade mínima de 70 ou 75 anos para aposentadoria, acabar com o auxílio-doença, regulamentar o trabalho escravo, privatizar o pré-sal e revogar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).   


"Essas e outras inverdades foram atribuídas de forma irresponsável e leviana ao governo interino", conclui a nota.   


O professor da Unesp e doutor em administração pública Alvaro Martim Guedes disse não acreditar que haverá uma alteração dos programas sociais. "Muitos estão até sob garantia legal, e na atual situação de crise, fazer alguma modificação que venha a retirar direitos ou benefícios, seria promover uma medida de alto risco político", aponta.   


Ainda segundo ele, o governo Temer tem demonstrado muita cautela em suas ações. "Seria estranho conduzir-se de forma diferente em uma questão tão sensível, do ponto de vista social, como essa.   


Na minha interpretação, afirmar que serão realizadas alterações em programas sociais é somente um mero jogo de poder", conclui.   


(ANSA)
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