Com exaltação ao feminismo, Versace é destaque da MFW

MILÃO, 24 FEV (ANSA) - Após desfiles de grandes grifes italianas e internacionais como Gucci, Max Mara, Prada, Fendi, Emilio Pucci e Moschino, nesta sexta-feira (24), o terceiro dia da Semana de Moda de Milão, um dos maiores eventos fashion do mundo, foi marcado por feminismo e grandes declarações.   


Um dos principais desfiles do dia foi o da Versace que foi todo inspirado pelo feminismo. Segundo a diretora criativa da marca, Donatella Versace, agora é "o momento de recomeçar a luta" porque "vivemos em um momento perigoso: dos Estados Unidos à Europa, o nacionalismo parece o único caminho a se seguir e a moda, que tem uma grande audácia, tem a obrigação de falar sobre o contexto no qual está ambientada", afirmou a italiana. De acordo com Donatella, essa luta contra o nacionalismo não está relacionada apenas à vitória de Donald Trump na Presidência dos Estados Unidos. No entanto, sobre isso, e mais especificamente sobre a marcha das mulheres que aconteceu um dia após a cerimônia de posse no mês passado, a estilista disse que só encontrou oito mulheres apoiando a causa em Milão, número muito pequeno para ela.   


Por isso, nas peças da coleção de outono/inverno 2017/2018, a Versace trouxe palavras como amor, igualdade, força, poder, unidade e inclusão. Já na passarela, as 52 modelos que desfilaram eram de todas as partes do mundo, "diferentes entre si, que acreditam em si mesmas e que se unem para fazer o bem", explicou a diretora. Na noite desta sexta, as modelos usaram jaquetas com os ombros arredondados, calças com as linhas soltas, saias "duplas" com tule, blusas decoradas com babados imperfeitos e cortes assimétricos em um estilo romântico, mas prático por que "mesmo as mulheres mais fortes, aquelas que carregam o mundo nos ombros, tem dentro de si gentileza e compaixão", disse Donatella. Para elas, "que tem tanto para dizer e tanto para fazer", as bolsas são enormes e macias, os tecidos são malhas metálicas e coloridas, os casacos são grandes, e o cabelo tem mechas coloridas e vivas. Já outra grife que arrasou nesta sexta foi a Emporio Armani, que tentou criar uma coleção que, no futuro, seria reconhecida como o modo de se vestir característico de 2017. Segundo o diretor criativo da Maison, Giorgio Armani, "o mundo está dando passos gigantes, mas nós, da moda, estamos parados" e por isso "chegou o momento de mudar" já que atualmente "ou se faz alguma coisa nova ou você não existe". De acordo com o italiano, nesse período em que estamos é necessário "encontrar um novo modo de se vestir que, daqui a 40 anos, olhando as fotos de hoje, se possa dizer: naquela época se vestia daquele jeito", o que, infelizmente, ainda não é o que acontece. Para isso, o estilista decidiu criar peças para a coleção outono/inverno onde as pernas das modelos estão escondidas, uma escolha que pode ser "dramática" para alguns, mas que é justificada por Armani porque as mulheres de hoje querem "uma estética diferente" e porque estão recuperando a sua feminilidade.   


Para essas mulheres então, a grife colocou nas passarelas calças e jaquetas com estampas como a de príncipe de gales, poá, chevron de revestidas de materiais impermeáveis como PVC, casacos acolchoados em cima de roupas de festa com grandes lantejoulas coloridas, blusas, vestidos e saias com estampas florais gráficas, vestidos compridos com franjas e fendas laterais, bolsas de mão, blazers com grandes botões, mangas compridas e cortes masculinos e calças de veludo com tênis ou galochas. No entanto, talvez a maior novidade do desfile da Armani desta sexta foi as cores usadas nas peças. As primeiras saídas eram dominadas principalmente pela combinação clássica de preto e branco. Depois, foi acrescentado o vermelho vivo, e alguns toques de azul. No fim, para surpresa de quem acompanha a maison há tempos, veio um inédito rosa choque. Além disso, após o desfile, Armani fez uma grande declaração: a de que as marcas Armani Jeans e Armani Collezioni não estarão mais presentes do desfile da Milan Fashion Week de primavera/verão 2018. Somente as linhas Ax, Giorgio Armani e Emporio Armani continuarão no fim do ano. Nas passarelas de Milão desta sexta-feira também apresentaram suas últimas coleções marcas como Diesel Black Gold, Etro, Bluegirl, Tod's e Marco de Vincenzo. (ANSA)
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