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Extrema direita protesta contra governo da Itália em Roma

28/04/2020 14h14

ROMA, 28 ABR (ANSA) - Parlamentares de extrema direita protestaram nesta terça-feira (28) em frente à sede do governo da Itália, em Roma, para cobrar a reabertura das atividades produtivas no país.   

Com máscaras nas cores da bandeira italiana e distanciamento físico, o ato reuniu todos os deputados e senadores do partido Irmãos da Itália (FdI), que é presidido por Giorgia Meloni e está em alta nas pesquisas.   

"Estamos aqui para dar voz ao silêncio de tantos, ao silêncio dos inocentes", disse Meloni, em referência às atividades fechadas por conta da pandemia do novo coronavírus, que já infectou cerca de 200 mil pessoas na Itália e matou mais de 27 mil.   

O FdI quer que o cronograma de reabertura anunciado pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte seja votado pelo Parlamento - as medidas estarão em um decreto do próprio premiê (DPCM), que não está sujeito a análise do Legislativo.   

"É preciso falar de modo claro: estamos aqui para dizer que não há nenhuma retomada", disse Meloni. Em quarentena desde 10 de março, a Itália já iniciou um percurso de reabertura das atividades econômicas e sociais, começando por livrarias, papelarias e lojas de produtos para crianças.   

A partir de 4 de maio, os italianos também poderão voltar a frequentar parques, a comprar comida para viagem e a realizar funerais, desde que respeitadas normas de distanciamento e higiene. Já as escolas devem reabrir apenas em setembro, no início do ano letivo.   

Mas o programa de saída da quarentena frustrou parte dos italianos, que esperavam medidas mais agressivas, aumentando a pressão para Conte acelerar o cronograma de reabertura.   

O primeiro-ministro, no entanto, segue irredutível e se apoia nos pareceres de um comitê científico que o assessora no combate à pandemia. "Anunciamos alguns passos adiante. Não é suficiente para alguns, mas não podíamos fazer mais", disse o premiê nesta terça, acrescentando que o risco de retorno do contágio "é muito concreto".   

O FdI, que mantem laços históricos com o extinto partido neofascista Movimento Social Italiano (MSI), tem hoje cerca de 14% das intenções de voto e está praticamente empatado nas pesquisas com o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento.   

Com isso, a legenda de Meloni se tornou a segunda força no espectro conservador, superando o moderado Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e atrás apenas da também ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini. (ANSA)
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