Os segredos do café brasileiro eleito como melhor do mundo

SÃO PAULO, 29 NOV (ANSA) - Por Nadedja Calado - Pela primeira vez na história, um produtor brasileiro, a São Mateus Agropecuária, venceu o título "Best of the Best" ("Melhor dos Melhores") no Prêmio Internacional Ernesto Illy, honraria que chega após anos de investimentos em técnicas e sustentabilidade e reconhece os princípios da agricultura regenerativa.   

A fazenda pertence ao Grupo BMG, cujo CEO, Eduardo Dominicale, recebeu o troféu das mãos de Andrea Illy, presidente da illycaffè, promotora da premiação, em jantar de gala realizado na Biblioteca Pública de Nova York na noite de 17 de novembro.   

A honraria homenageia o filho do fundador da empresa italiana e simboliza mais de 30 anos de colaboração direta com os produtores de café, modelo iniciado no Brasil e depois levado a outros países fornecedores.   

"O trabalho começou há 40 anos e caminhou para a procura por sustentabilidade. Foi um passo dado há muito tempo, levando em conta como prezar pelo ecossistema, o reuso da água e não impactar negativamente a terra", disse Dominicale em entrevista à ANSA, ao responder sobre qual seria o segredo do melhor café do mundo.   

"Nossa fazenda foi uma das primeiras a adotar o sistema de gotejamento, pensando na própria irrigação com o cuidado com a água. Prezamos pela relação com o sistema em que a fazenda está inserida, com a fauna, a flora. É uma característica do DNA do grupo", garantiu o produtor.   

Segundo Dominicale, a fazenda busca sempre as práticas de ESG (governança ambiental, social e corporativa), e esses investimentos se refletem na qualidade do café. "E não medimos esforços para que isso se reflita também no bem-estar das pessoas, dos funcionários. Chegar à qualidade do café depende de um trabalho complexo iniciado há muito tempo", ressaltou.   

O café da São Mateus também segue os princípios da agricultura regenerativa, bandeira da illycaffè e de Andrea Illy. Esse modelo de plantio sustentável promove a recuperação do solo e do meio ambiente ao redor para garantir sua viabilidade em longo prazo, diminuir as emissões de CO2 e melhorar a saúde do ecossistema local.   

"Fomos o primeiro café mineiro certificado pela regenagri [entidade global com sede no Reino Unido] e o quarto no mundo.   

Vamos seguir investindo nessas questões, nas práticas, sempre queremos evoluir", disse Dominicale.   

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De acordo com o júri do Prêmio Ernesto Illy, o café da São Mateus é "redondo, saudável e encorpado, com sabores ricos e suaves de um equilíbrio de chocolate, caramelo, açúcar mascavo e amêndoas torradas", apresentando também um brilho refinado, com um final persistente de doçura suave, gentil e harmoniosa".   

Para o CEO do BMG, esse prêmio também é um reconhecimento à origem do produto, o Cerrado Mineiro, que, em outubro passado, ganhou o primeiro café no mundo com certificação de origem 100% proveniente da agricultura regenerativa, o Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro.   

"Foi muito importante para a região do Cerrado Mineiro, exalta o trabalho feito ali. Exalta todo o estado de Minas Gerais", disse.   

Situada em Varjão de Minas, a São Mateus Agropecuária já tinha sido finalista do prêmio em 2022 e colabora com a illycaffè desde 2008. "Ficamos ainda mais honrados com a parceria e o reconhecimento [da illy], nos fez entender o quanto estamos alinhados com o que buscam, exaltando o café de qualidade e a sustentabilidade", afirmou Dominicale, que dedicou o prêmio ao fundador do BMG e da São Mateus, Flávio Pentagna Guimarães, que morreu em janeiro passado, aos 93 anos.   

"A fazenda começou com o doutor Flávio, nosso principal acionista. O grupo tem vários negócios, mas ele sempre gostou da fazenda, queria ter qualidade no café. Ganhar quando ele partiu foi uma maneira de homenageá-lo, teve um sabor especial", concluiu. (ANSA).   

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