Lula analisa acordo UE-Mercosul e critica declaração de Macron

SÃO PAULO, 3 DEZ (ANSA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, neste domingo (3), a declaração de seu homólogo francês, Emmanuel Macron, sobre ser contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul e disse que, caso não haja o tratado, não foi por falta de vontade dos sul-americanos.   

"Se não tiver acordo, paciência. Não foi por falta de vontade. A única coisa que tem que ficar claro é que não digam mais que é por conta do Brasil. E que não digam mais que é por conta da América do Sul. Assumam a responsabilidade de que os países ricos não querem fazer um acordo na perspectiva de fazer qualquer concessão", declarou o petista a jornalistas brasileiros em Dubai.   

Antes de embarcar para a Alemanha, Lula fez um balanço sobre sua participação na 28ª Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas, a COP28, e destacou que não quer um acordo para "tomar prejuízo". "Se não der acordo, pelo menos vai ficar patenteado de quem é a culpa de não ter acordo", acrescentou.   

Ontem (2), Lula se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, na tentativa de avançar com a negociação, tendo em vista que ele é contra o acordo UE-Mercosul.   

Macron já chegou a dizer, inclusive, que a iniciativa é "incoerente" e "mal remendada". "[O acordo] não leva em conta a biodiversidade e o clima dentro dele. É um acordo comercial antiquado e que desfaz tarifas", afirmou o francês.   

Por sua vez, Lula confirma que "a França sempre foi o país que criou o obstáculo no acordo do Mercosul com a União Europeia", porque "tem milhares de pequenos produtores e eles querem produzir os seus produtos".   

"É isso. Agora, o que eles não sabem é que nós também temos 4 milhões e 600 mil pequenas propriedades, até 100 hectares, que produzem quase 90% do alimento que nós comemos e que são alimento de qualidade e que nós também queremos vender", enfatizou o petista.   

Segundo o líder brasileiro, "eles têm que saber que nós também temos indústrias, que nós queremos crescer, e que nós não vamos facilitar as compras governamentais porque nós queremos que a nossa indústria cresça".   

Lula contou que tentou "mexer com o coração" do presidente francês: "Macron, quando você voltar para a França, abre o seu coração, cara. Pensa um pouco na América do Sul, pensa no Mercosul. Nós somos países pobres, temos países pequenos. Bom, me parece que ele não pensou. Ele não deu nem tempo pro coração dele, porque ele já foi comunicar vocês".   

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Em relação a COP28, o presidente disse que voltará para o Brasil "muito feliz", tendo em vista que a cúpula " a cada ano que passa ganha mais envergadura, ganha mais responsabilidade, e ganha mais representatividade". (ANSA).   

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