Garotinho preso: Entenda as acusações contra ex-governador do Rio

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira em seu apartamento na Zona Sul do Rio, como parte da Operação Chequinho.

Garotinho atua como secretário de Governo na administração de sua mulher, Rosinha Garotinho, em Campos dos Goytacazes, interior do Estado.

A PF de Campos acusa o ex-governador de liderar um esquema que teria usado um programa social do município para comprar votos nas eleições municipais de outubro deste ano. Em resposta, a defesa dele afirma que o programa nunca foi usado para fins eleitorais.

"Nossa apuração indica que ele lidera uma organização criminosa, como disse o delegado", afirmou à BBC Brasil o agente especial Alessandro Rodrigues, da PF local.

Segundo a Polícia Federal, a transferência de Garotinho para a sede da corporação em Campos deve acontecer até o fim dessa tarde. Os advogados, por sua vez, informam que preparam desde a manhã desta quarta-feira um pedido de habeas corpus para o ex-governador, que deve ser finalizado nesta tarde.

"A prisão é no mínimo desnecessária, porque a eleição já acabou", diz o advogado Lopes Neto. "Não faz sentido prender uma pessoa para evitar práticas de crime eleitoral se a eleição já acabou. Lembrando que o candidato apoiado pelo grupo dele (Garotinho) foi derrotado."

Em entrevista à BBC Brasil publicada no último dia 3, o ex-governador comentou a derrota. "O resultado da eleição não foi o que de fato aconteceu. Ali tem fraude e a coisa não é pequena. Mais do que isso eu não posso falar", disse, sem dar mais detalhes.

Na ocasião, o político disse que foi "vítima de perseguição do Judiciário fluminense em toda a minha trajetória política", sem citar especificamente as investigações sobre compra de votos pela PF.

Garotinho foi governador do Rio de 1998 a 2002. No mesmo ano, ele concorreu à Presidência e sua mulher foi eleita governadora do Estado. Derrotado por Luis Inácio Lula da Silva, ele assumiu o cargo de Secretário de Segurança Pública do Rio.

O casal esteve envolvido em diversos escândalos de corrupção, desvio de verbas durante os mandatos no Estado e na prefeitura de Campos dos Goytacazes.

Crescimento suspeito

A Operação Chequinho faz referência ao programa social Cheque Cidadão, que concede mensalmente um benefício de R$ 200 a famílias de baixa renda de Campos dos Goytacazes.

O Cheque Cidadão foi criado por Anthony Garotinho em 1999, durante seu governo no Estado do Rio de Janeiro. O político costuma citá-lo em entrevistas, afirmando que "criou o Cheque Cidadão antes de o governo federal criar o Bolsa Família", que tem critérios similares.

Em 2009, Rosinha Garotinho lançou a versão municipal do programa em Campos, reduto eleitoral da família.

"Nunca foi um programa casuístico, usado para eleição. Ele existe desde 1999", argumenta o advogado de defesa Lopes Neto.

A distribuição do benefício chegou a ser interrompida para recadastramento de famílias após suspeita de fraudes. Segundo a Polícia Federal, teria ficado "paralisado por anos, suspenso por falta de recursos".

O advogado de Anthony Garotinho, no entanto, afirma que só houve suspensão momentânea em 2015 para corte nos cadastrados e por causa da crise financeira.

A partir de junho de 2016, a PF diz ter observado um crescimento desordenado no programa, que passou de 12 mil beneficiários a 30 mil em dois meses.

À BBC Brasil, a Polícia Federal de Campos dos Goytacazes disse que "conseguiu 'amarrar' a extensão do programa social à venda de votos por Garotinho depois de uma série de investigações e evidências recolhidas".

"O programa havia sido suspenso em função de falta de recursos. De junho para cá, o número de beneficiados quase triplicou. O benefício social só voltou a ser concedido à população em troca de votos", disse o agende Alessandro Rodrigues.

'Nunca foi suspenso'

O advogado de defesa de Garotinho, Jonas Lopes Neto, negou a paralisação do programa.

"Nunca ficou suspenso. De fato, com a crise econômica, o programa teve uma redução de 30 mil cadastrados para 12 mil, em 2015."

Ele afirma que o município recebeu em maio um aporte de R$ 500 milhões de reais, o que teria possibilitado a expansão do benefício.

"É uma verba decorrente de uma operação financeira junto à Caixa em Brasília. Com esse aporte o programa se reestabeleceu, assim como vários outros programas. O município estava parado e, com essa verba, voltou a caminhar."

Em setembro, a Justiça chegou a suspender o benefício para os cadastrados a partir do dia 1º de junho como parte das investigações.

Desde então, a PF prendeu temporariamente a secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social, a coordenadora do Cheque Cidadão, cinco vereadores, eleitores ligados a um vereador suspeito de compra de votos e uma radialista da cidade.

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