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Caso George Floyd: ex-general critica Trump por ameaçar usar militares contra manifestantes

Da BBC

05/06/2020 18h54

Mais um alto ex-oficial das Forças Armadas nos EUA criticou o presidente Donald Trump por ameaçar usar as tropas para reprimir protestos em curso no país.

O general Martin Dempsey, que foi chefe do Estado-Maior Conjunto nos EUA, disse à rádio pública americana NPR que a fala de Trump era "muito problemática" e "perigosa".

O atual e o ex-secretário de Defesa também se manifestaram.

Na segunda-feira, o presidente ameaçou usar os militares para "resolver rapidamente" a turbulência se os Estados falhassem em agir.

Manifestações, em sua maioria pacíficas, se espalharam pelos EUA desde a morte do americano negro George Floyd, sufocado em uma abordagem policial no mês passado.

Embora os protestos pareçam estar diminuindo na capital Washington, o perímetro de segurança da Casa Branca se expandiu nos últimos dias.

A polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para afastar manifestantes do parque Lafayette na segunda-feira e, desde então, ergueu altas cercas em torno da residência presidencial.

Quem criticou Trump?

"A ideia de que o presidente assuma o controle da situação usando militares era problemática para mim", Dempsey disse num raro pronunciamento público na quinta-feira.

"A ideia de que os militares seriam convocados para dominar e suprimir o que, na maior parte, eram protestos pacíficos - em que alguns de forma oportunista os tornaram violentos - e que os militares de alguma forma chegariam e acalmariam a situação era bem perigosa para mim", acrescentou.

Dempsey serviu como o mais antigo oficial militar no governo Barack Obama entre 2011 e 2015.

As críticas foram feitas um dia depois de o general Jim Mattis, ex-secretário de Defesa de Trump, criticar o presidente, afirmando que ele deliberadamente estimulava divisões.

"Donald Trump é o primeiro presidente na minha história de vida a não tentar unir o povo americano - nem finge tentar", escreveu Mattis na revista The Atlantic. "Ao invés disso, ele tenta nos dividir."

Trump contra-atacou no Twitter chamando-o de "general superestimado".

Naquele mesmo dia, o atual secretário de Defesa de Trump, Mark Esper, também se pronunciou.

Ele disse que o uso de militares na ativa para reprimir turbulências pelo país seria desnecessário - declaração que desagradou a Casa Branca.

O que Trump disse sobre o envio de militares?

Trump disse na segunda-feira que agiria para dispersar protestos violentos.

"Em uma cidade ou Estado que se recuse a tomar as medidas que sejam necessárias para defender a vida e a propriedade de seus residentes, então eu enviarei os militares dos EUA e resolverei rapidamente o problema por eles", ele disse.

Enquanto ele falava, autoridades usaram a força para dispersar um protesto majoritariamente pacífico nas redondezas para que o presidente pudesse caminhar até uma igreja danificada por um incêndio num protesto recente e ser fotografado com uma Bíblia nas mãos.

O Departamento de Justiça ordenou que a praça Lafayette, que fica do lado de fora da residência presidencial, fosse cercada para proteger a caminhada de Trump.

Na quinta à tarde, a zona de segurança foi consideravelmente ampliada, e altas cercas foram instaladas em volta de uma área ao sul da Casa Branca.

Também na quinta, a senadora republicana Lisa Murkowski anunciou que não tinha certeza se apoiaria a reeleição de Trump.

O ato foi considerado a maior crítica já sofrida por Trump por parte de um senador do seu próprio partido.

Pouco depois, Trump tuitou que faria campanha para que a senadora do Alasca não se reeleja em 2022.

Ele também tuitou uma carta escrita pelo seu ex-advogado John Dowd que se referiu a manifestantes pacíficos em Washington como "terroristas". E criticou John Kelly, seu ex-chefe de gabinete na Casa Branca, após o general apoiar Mattis.

Enquanto isso, o jornal The News York Times disse que errou ao publicar um artigo do senador por Arkansas Tom Cotton com o título "Mandem os soldados".

A retratação ocorreu após dezenas de jornalistas do veículo criticarem a decisão de publicar o artigo, argumentando que ele punha em risco funcionários negros do próprio jornal.

O jornal inicialmente defendeu a publicação do texto - favorável ao envio de militares para conter os protestos - dizendo que queria oferecer aos leitores opiniões diversas.

Mas posteriormente o jornal publicou um comunicado dizendo que "um processo editorial apressado levou à publicação de um artigo que não atendia aos nossos padrões".

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