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Caso George Floyd: os vídeos de violência policial contra manifestantes que chocam os EUA

Protesto em homenagem a Breonna Taylor e George Floyd, em Louisville, nos Estados Unidos  - Brett Carlsen/Getty Images
Protesto em homenagem a Breonna Taylor e George Floyd, em Louisville, nos Estados Unidos Imagem: Brett Carlsen/Getty Images

Da BBC

05/06/2020 17h29

Vários vídeos novos de violência policial surgiram durante os protestos pela morte do americano negro George Floyd.

Em Buffalo, no Estado de Nova York, dois policiais foram suspensos depois de serem flagrados derrubando um idoso no chão.

E na região da cidade de Nova York policiais foram filmados atingindo manifestantes enquanto eles fugiam.

Os registros ocorrem horas após uma homenagem a Floyd em Minneapolis, a cidade onde ele morreu nas mãos da polícia.

Sua morte, que também foi filmada, provocou revolta e uma série de protestos contra a discriminação racial e o tratamento policial a americanos negros em cidades dos EUA e pelo mundo.

A maioria dos protestos foi pacífica, mas alguns terminaram em cenas de rebelião, o que levou à imposição de toques de recolher em várias cidades.

Em um protesto, agentes de segurança na capital Washington usaram spray de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar manifestantes do lado de fora da Casa Branca para permitir que o presidente Donald Trump pudesse ser fotografado em uma caminhada até uma igreja próxima.

Em resposta, a America Civil Liberties Union (ACLU), um grupo de ativista pró-direitos civis, entrou com uma ação acusando o presidente e outros integrantes do governo de violar o direito constitucional dos manifestantes.

"Quando o principal responsável por fazer valer a lei se torna cúmplice das táticas de um autocrata, isso restringe a livre expressão para todos nós", disse Scott Michelman, da ACLU, à agência Reuters.

Em outro evento, a polícia no Estado do Arizona divulgou detalhes da morte de outro homem negro, Dion Johnson, em Phoenix, em 25 de maio - mesmo dia de Floyd.

Johnson foi alvejado por forças estaduais após ser visto "desmaiado no banco do motorista" de um carro que estava atrapalhando o trânsito, segundo um comunicado da polícia.

"Durante a abordagem do suspeito, houve uma luta, e o agente atirou sua arma de serviço, atingindo o suspeito", disse a polícia.

O comunicado só foi divulgado após a família de Johnson receber o áudio e vídeo do incidente.

O que mostram os vídeos?

O vídeo de Buffalo mostra um homem de 75 anos se aproximando de policiais que estavam impondo o toque de recolher. Eles avançam para frente, empurrando-o e fazendo com que caia e bata a cabeça.

Conforme ele cai no chão, começa a escorrer sangue de seu ouvido.

O homem foi levado em uma ambulância e sobreviveu a uma grave fratura no crânio.

Um comunicado inicial do Departamento de Polícia de Buffalo disse que o homem havia "tropeçado" e caído durante uma "bagunça envolvendo manifestantes", o que ampliou a revolta gerada pelo incidente.

O porta-voz da polícia Jeff Rinaldo depois atribuiu o comunicado a agentes que não estiveram envolvidos diretamente no episódio. Ele acrescentou que, quando o vídeo veio à tona, os dois policiais que empurraram o manifestante foram suspensos sem pagamentos.

Na mesma noite, um entregador em Nova York foi preso 27 minutos após o toque de recolher começar a vigorar, embora sua atividade estivesse livre da restrição.

E na região de Williamsburg, a polícia foi filmada atacando manifestantes, atirando ao menos uma pessoa contra o chão.

Outros vídeos mostraram um homem caído no chão e com sangue na cabeça sendo preso.

Como as autoridades reagiram?

Na quinta-feira, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, defendeu a polícia, dizendo que ela não estava batendo em cidadãos "sem motivo" e que, se o fizesse, "seria errado".

O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que as autoridades estavam "fazendo tudo sob uma perspectiva de contenção".

Mas, desde então, o governador e o prefeito condenaram ações que vieram à tona à noite.

No Twitter, Cuomo descreveu o incidente em Buffalo como "totalmente injustificado e vergonhoso".

"Os policiais precisam aplicar a lei, não abusar dela", disse ele.

Já Blasio disse ter reclamado ao departamento de polícia da cidade após ver o vídeo da prisão do entregador.

Qual o contexto?

Esses episódios ocorreram enquanto a polícia impunha toques de recolher em dezenas de cidades nos EUA após uma onda de protestos gerada pela morte de George Floyd.

Floyd, de 46 anos, foi abordado pela polícia, que investigava a compra de cigarros com dinheiro falso em 25 de maio, em Minneapolis.

Um vídeo o mostrou sendo arrastado e um policial branco pressionando o joelho em seu pescoço por vários minutos, mesmo após ele dizer que não conseguia respirar.

Tem havido protestos desde então em várias cidades dos EUA e outros países, como Austrália, França, Países Baixos e no Reino Unido, onde milhares se reuniram no centro de Londres.

Em Sydney, na Austrália, a Justiça negou permissão para um protesto em meio a temores quanto à propagação do novo coronavírus.

A morte de Floyd ocorre após uma série de episódios parecidos, como o de Michael Brown em Ferguson, Missouri; Eric Garner em New York; e outros que impulsionaram o movimento Black Lives Matter nos últimos anos.

Para muitos, a revolta com a morte de Floyd também reflete a frustração com a discriminação e a desigualdade econômica.

Protestos por causa da morte continuaram a ocorrer em dezenas de cidades na quinta-feira apesar dos toques de recolher.

Eles ocorreram após uma vigília assistida por centenas de pessoas, que permaneceram em silêncio por oito minutos e 46 segundos - o tempo em que Floyd ficou no chão nas mãos da polícia de Minneapolis.

Um advogado de Floyd disse que uma "pandemia de racismo" provocou sua morte.

O reverendo Al Sharpton, que discursou no evento, disse que é hora de se levantar e dizer "tire seu joelho dos nossos pescoços".