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Por que Einstein não ganhou o Nobel com a teoria da relatividade e outras revelações sobre o prêmio

A comunidade científica reconheceu o brilho do trabalho de Einstein, mas a Academia Nobel, não - Getty Images
A comunidade científica reconheceu o brilho do trabalho de Einstein, mas a Academia Nobel, não Imagem: Getty Images

Ruth Alexander - BBC News

24/10/2020 16h40

Eram 5 da manhã, e o silêncio na casa onde Donna Strickland dormia foi abruptamente interrompido pelo toque do telefone.

"Você logo pensa que aconteceu algo de ruim com seus filhos ou algo do tipo."

Ao atender, uma voz lhe disse: "Por favor, permaneça na linha para receber uma chamada muito importante da Suécia".

"Lembro-me de ter agarrado meu marido dizendo: Meu Deus! São 5 da manhã. É 2 de outubro. É um telefonema da Suécia. Tem que ser um prêmio Nobel."

Mas só escutava o silêncio. E esperou, esperou, esperou..

"Finalmente, depois de 15 minutos, eu olhei minha caixa de e-mail e havia uma mensagem. 'Por favor, nos ligue, estamos tentando falar com você.' E a mensagem vinha da Academia Real das Ciências da Suécia. Assim que liguei, confirmei que sim, eu havia ganhado um prêmio Nobel."

A honraria foi dada pelo trabalho pioneiro em pulsos de laser ultracurtos de alta intensidade realizado por Strickland e por seus colegas do Departamento de Física da Universidade de Rochester, em Nova York, que seria usado em cirurgias oculares corretivas.

Ela recebeu o Nobel de Física de 2018, que vem com um cheque equivalente a US$ 1 milhão (ou R$ 5,6 milhões, em valores atuais) e uma semana de festividades das mais grandiosas em Estocolmo, incluindo jantares de gala.

"Eu me sentei entre um príncipe e um rei!"

Mas, além do glamour e do brilho da cerimônia de premiação, como o prêmio é concedido? Quem decide quem é digno e quem não é? Ele é justo e transparente? Tem sentido? E, afinal, o que o prêmio Nobel fez pelo mundo?

O prêmio

Vale lembrar que o prêmio Nobel foi instituído no início do século 20 a partir dos planos de Alfred Nobel, um industrial sueco que inventou a dinamite.

São cinco os prêmios que homenageiam aqueles que trabalham com física, química, medicina, literatura e paz, e que são considerados como tendo conferido "o maior benefício para a humanidade".

Em 1968, um prêmio de economia foi acrescentado ao rol.

Opiniões à parte, o Prêmio Nobel é muito importante. Na cabeça de muitos, é o máximo dos prêmios. Não poderia haver elogio maior.

Como diz a historiadora da ciência Ruth Lewin Sime, "um cientista será lembrado para sempre se estiver nessa lista de ganhadores do Nobel".

"Uma das coisas que o Nobel faz é conferir uma espécie de imortalidade. Essa é a natureza, a aura que envolve o Prêmio Nobel", explica.

O outro lado da moeda é que sua aura é tão poderosa que pode ofuscar aqueles que não a recebem.

"À medida que a história avança, desaparecem gradualmente se estão nas sombras, tornando-se invisíveis."

Por isso, é muito importante que o Prêmio Nobel homenageie a melhor ciência e os melhores cientistas. Mas será que é isso mesmo que acontece?

Sigilos

Durante anos, a lista de pessoas indicadas ao prêmio era do mais alto sigilo. Só se revelava quem era o ganhador.

Mas as regras foram relaxadas com o tempo. Pelo menos um pouco. E algumas indicações passaram a ser públicas.

Embora a mudança não esclareça muita coisa sobre decisões recentes, ela permite a historiadores como Sime mergulharem no passado.

E desde que se debruçou sobre os arquivos, ela está em uma espécie de missão de resgate para destacar o trabalho de uma notável cientista que o Prêmio Nobel rejeitou: Lise Meitner.

Meitner nasceu em 1878 em Viena, hoje capital da Áustria.

"A geração dela era formada basicamente por mulheres proibidas de estudar e de se tornarem profissionais. Mas ela conseguiu chegar à universidade, e sua carreira a levou para Berlim", relata Sime.

"Ela se tornou chefe de uma seção no Instituto de Química Kaiser Wilhelm. Meitner era uma cientista bastante proeminente quando havia poucas como ela."

Meitner trabalhou em estreita colaboração com o talentoso químico Otto Hahn e, na década de 1930, a dupla se aventurou em um campo inteiramente novo da ciência: a física atômica.

Eles mergulharam em pesquisas profundas sobre de urânio, à medida que o mundo à sua volta escurecia.

"Os nazistas conquistaram a Alemanha e, em 1938, como um grande número de judeus e outros perseguidos, Meitner foi forçada a fugir. Ela deixou tudo para trás: seu emprego, sua renda, seus amigos."

Teve então que recomeçar tudo na Suécia, com quase 60 anos. Outros teriam desistido, mas Meitner continuou seu trabalho, junto com seu sobrinho, também físico, e escrevendo para Hahn diariamente.

Poucos meses depois, a equipe fez uma descoberta. Uma das grandes.

"O urânio se dividiu em dois e liberou uma enorme quantidade de energia."

Eles descobriram o que chamaram de "fissão nuclear" e, por extensão, energia nuclear.

A grandiosidade da descoberta tornou-se visível poucos anos depois, quando a fissão nuclear provocou de fato o fim da Segunda Guerra Mundial, com o lançamento das primeiras bombas atômicas pelos Estados Unidos contra o Japão.

Naquele ano, 1945, o Prêmio Nobel de Química foi concedido a Otto Hahn, e não a Lise Meitner.

E por que não?

Razões pessoais

A culpa, defende Sime, tem nome.

"Para mim, para outros historiadores que estudaram o tema e para colegas de Meitner dentro e fora da Suécia, a principal razão foi Manne Siegbahn."

Ganhador do prêmio Nobel de Física de 1925 por seu trabalho ligado ao raio-X, Siegbahn era diretor do departamento de física do Instituto Nobel da Academia Real das Ciências da Suécia, onde Meitner tinha um escritório (que ficava no porão e tinha acesso limitado aos laboratórios).

"Na Suécia, o prestígio de alguém que recebe o Nobel é enorme. Essa pessoa consegue um bom lugar, financiamento para sua pesquisa, pode estar em um comitê do Nobel etc. E Siegbahn não queria isso de forma alguma para Meitner, então a boicotou."

"Como o físico mais influente da Suécia, ele era um dos cinco membros do comitê de tomada de decisões do Nobel. Outros dois eram seus ex-alunos. Com o comitê dominado por Siegbahn, ela não teve chance."

Lise Meitner alcançou fama em vida. Ou talvez infâmia. Ela passou a ser conhecida como "a Mãe da Bomba Atômica", apelido que ela odiava. Ela teria sem dúvidas preferido um prêmio Nobel. E recebeu 48 indicações de outros cientistas ao longo de várias décadas. Mas foram em vão.

E seu caso não é de longe a única estranheza na história do Nobel.

"Erros do Nobel? Há vários", afirma o professor Brian Keating, cosmologista da Universidade da Califórnia em San Diego, destacando uma das vitórias que logo caíram na obsolescência.

"Gustaf Dalen, que ganhou o prêmio em 1912 por (seus estudos sobre as propriedades de) faróis e boias."

Descobrir como fazer com que as luzes a gás de faróis e boias acendessem e apagassem era muito importante quando muitas vidas eram perdidas no mar. Mas (...) se torna insignificante quando se considera o que mais estava acontecendo naquele momento", afirma Keating. "Ele ganhou (o prêmio) sete anos depois do ano milagroso de Einstein, quando este descobriu a teoria da relatividade".

Um dos maiores avanços científicos do século 20, que transformou nossa compreensão sobre o Universo, a teoria da relatividade não rendeu um Nobel a Albert Einstein.

"Sem dúvida alguma houve preconceito contra ele e sua teoria", declara Robert Mark Friedman, professor de história da ciência da Universidade de Oslo, na Noruega.

"Era judeu, socialista, internacionalista e pacifista."

Friedman estudou os arquivos do Nobel para tentar entender a decisão e diz que é simplesmente impossível que Albert Einstein tenha recebido uma avaliação justa e imparcial, apesar do fato de que muitos dos principais físicos internacionais indicaram-no ao prêmio pela teoria da relatividade.

"Eles reiteraram que foi o trabalho mais importante na física desde Isaac Newton, compararam Einstein a Copérnico, insistiram que foi sem dúvida o trabalho mais significativo na física em anos e, portanto, deveria ser considerado para um prêmio."

Mas a opinião dos membros do comitê do prêmio Nobel era bastante diferente.

"As avaliações sobre a relatividade especial e geral são escritas da perspectiva de que Einstein estava errado."

Apesar da crescente fama de Einstein, os membros do comitê se mantiveram firmes.

"O que eles disseram publicamente foi que, em última análise, a relatividade não era física. Tratava-se de tempo e espaço, portanto era metafísica. E metafísica é filosofia, e filosofia não é física. Então, como poderiam dar a ele o prêmio de física?"

Albert Einstein receberia finalmente o Prêmio Nobel de Física em 1921, não por sua maior descoberta, mas por um efeito fotoelétrico menos conhecido.

Nas décadas mais recentes, o Nobel passou a ser ainda mais criticado não tanto por quem foi excluído, mas por quem incluído.

Paz aos homens de boa vontade

Alfred Nobel escreveu em seu testamento que um dos prêmios em seu nome deveria ser reservado para a pessoa que mais tivesse feito no ano anterior pela "irmandade das nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes, bem como pela participação e promoção de congressos de paz e direitos humanos".

"Ele queria que os vencedores fossem defensores da paz, que tivessem a coragem de lutar pela coisa certa", disse o escritor norueguês Unni Turretini.

Este é provavelmente o Prêmio Nobel mais conhecido, talvez um reflexo dos grandes laureados.

"Martin Luther King Jr., Madre Teresa, Desmond Tutu, o 14º Dalai Lama, Mikhail Gorbachev..."

A lista é enorme.

"Às vezes eles acertam e selecionam vencedores merecedores." Mas nem sempre.

Em 1973, o presidente dos Estados Unidos era Richard Nixon, e seu assessor de segurança nacional, Henry Kissinger, e o principal negociador com o Vietnã do Norte, Le Duc Tho, receberam o prêmio Nobel da Paz por seus esforços conjuntos para negociar um cessar-fogo na guerra do Vietnã.

O problema é que não existia o tal cessar-fogo.

"Inclusive logo depois do anúncio do prêmio, em outubro, os EUA bombardearam o Camboja e o norte do Vietnã. Kissinger claramente não era um defensor da paz segundo os valores e as intenções de Alfred Nobel", relembra Turretini.

Dois membros do comitê deixaram seus postos em protesto, e Le Duc Tho se negou a aceitar o prêmio.

Mas o que aconteceu? Diferentemente de outros prêmios Nobel, o da Paz é decidido na Noruega, que no momento da morte de Alfred Nobel estava unificada com a Suécia em um só reino. E naquela época, assim como hoje, a Noruega tem reputação de defender a paz mundial.

Turretini, no entanto, afirma que foram outras razões que levaram à escolha de Kissinger para o Nobel da Paz.

"Isso ocorreu durante a Guerra Fria, e especialistas acreditam que, dada a proximidade geográfica com a Rússia, a Noruega estava tentando fortalecer sua aliança com os EUA."

E quem exatamente toma essas decisões?

Cinco noruegueses, em geral políticos na ativa ou aposentados.

Mesmo algumas pessoas que fazem parte de outros comitês do Nobel, como o virologista sueco Erling Norrby, têm seus questionamentos em relação ao Nobel da Paz.

"Ele é provavelmente a parte mais fraca do testamento, porque toda a responsabilidade cabe ao comitê", observa Norrby.

"Houve altos e baixos, alguns difíceis de explicar: como você pôde dar a Barack Obama um Nobel da Paz quando ele mal tinha quatro semanas como presidente (em 2009)?"

"Eles estavam claramente enviando uma mensagem. O governo norueguês e o comitê do Nobel externaram repetidas vezes insatisfação com as políticas e ações do governo Bush, e o prêmio para Obama dizia: 'Este é o tipo de presidente que queremos dos EUA'", avalia Turretini.

Para ele, o Prêmio Nobel da Paz se tornou muito prestigioso, e os cinco membros do comitê norueguês ditam suas próprias leis.

"Eles acham que podem tomar as decisões que quiserem e, como o processo de seleção, suas discussões e anotações são secretas há 50 anos, eles sentem que não precisam dar qualquer justificativa."

De todo modo, é inegável que um grande número de ganhadores do Prêmio Nobel, em todos os campos, foi para vencedores que o mereciam.

Afinal, o prêmio não se tornou tão grande à toa. Mas como você decide quem ganha?

Os bastidores

"Há muitas emoções, subjetividade e luta por cada candidato", revela o virologista Norrby, que passou anos no comitê do prêmio Nobel de Medicina.

"Você tem que ser um estrategista e tanto e talvez até bastante político, porque é uma sala cheia de pessoas para quem você tem que vender seu candidato favorito."

Desse modo, para ganhar o prêmio Nobel é fundamental ter apoiadores no comitê, como demonstraram o caso de Meitner e até mesmo o de Einstein.

Além disso, Norrby enfatiza, "certos membros têm muito mais influência do que outros".

A maioria deles são suecos. Isso porque o testamento de Alfred Nobel especificava que os membros do comitê deveriam vir de uma das duas importantes instituições suecas: a Academia Real das Ciências da Suécia e o Instituto Karolinska de Medicina.

"A vantagem é estarmos em um canto remoto do mundo, então não estamos tão expostos a lobby e pressões intensas", diz Goran Hansson, secretário-geral da Academia Real das Ciências da Suécia.

Mas o que para alguns é uma virtude, para outros é um vício. E há quem pense que, devido a sua distância, os suecos não estão em posição de julgar o que se passa neste vasto planeta.

"Se analisarmos os prêmios concedidos ao longo destes 120 anos, é notável o quão bem as decisões foram recebidas", defende Hansson.

Mas, nem sempre.

Palavras

Em 2016, Bob Dylan se tornou o primeiro cantor e compositor a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, para surpresa de muitos.

No entanto, de alguma forma, não foi uma escolha tão incomum.

O secretário permanente da Academia Sueca, que concede o prêmio Nobel, disse que o cantor-compositor foi escolhido por ser "um grande poeta da tradição anglófona", como muitos dos prêmios de literatura foram.

Dos 116 premiados pela literatura, mais de 100 escreveram em inglês e em outras línguas europeias, ignorando várias outras partes e línguas do mundo.

"Há pelo menos 22 Estados-nação árabes reconhecidos, cada um com seu próprio tipo de escritores cuja língua de expressão é o árabe", observa Wen-Chin Ouyang, da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

Mas só um autor que escreve em árabe conseguiu ganhar o Prêmio Nobel: o egípcio Naguib Mahfouz, premiado em 1988.

O comitê disse que seus 30 romances e suas mais de 350 histórias sobre amor, sociedade e a passagem do tempo constituem "uma arte narrativa árabe que se aplica a toda a humanidade".

O prêmio foi bastante significativo porque "foi reconhecido que a literatura árabe é uma literatura de nível mundial, e isso é importante: ela tem efeitos positivos para o resto do mundo", segundo Ouyang.

Mas por que demorou tanto para um escritor árabe vencer, e por que não houve outro desde então?

É preciso analisar quem julga o prêmio: 18 membros vitalícios da Academia Sueca. Escritores, linguistas e historiadores escandinavos que precisarão ler literatura árabe principalmente traduzida. E isso é um problema.

"Algumas das traduções podem ser academicamente precisas ou corretas, mas não dão o senso de beleza ou fluência do idioma original, e a maioria das traduções é de qualidade irregular", explica Ouyang.

Mahfouz teve a sorte de ser bem traduzido, diferentemente de muitos outros.

Especialistas consultados pela BBC afirmam que esforços estão sendo feitos para ampliar o espectro do prêmio de literatura, mas é bastante difícil de superar o problema de traduções de baixa qualidade.

A literatura não é a única área em que barreiras sistêmicas e institucionais limitam o alcance internacional do Nobel.

A elite

"Ao todo, 90% dos prêmios foram concedidos para a Europa Ocidental ou América do Norte", resume Winston Morgan, que pesquisa a diversidade entre ganhadores do Nobel.

"O Nobel é o prêmio máximo para um cientista, mas por mais brilhante que ele seja, se não tiver estrutura e recursos adequados, não vai alcançá-lo."

E isso significa que é preciso estar basicamente na América do Norte ou na Europa Ocidental: se não nasceu lá, tem que ir para lá", afirma Morgan.

Os prêmios Nobel se concentram em algumas instituições de ensino e pesquisa do mundo. O Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech, tem 74 vencedores. E ocupa apenas o oitavo lugar na lista.

No topo está Harvard, com 160 vencedores. A lista de 20 maiores é dominada por instituições americanas, com algumas europeias no meio.

Goran Hansson, da Academia Real das Ciências da Suécia, órgão que concede o Nobel de Física, Química e o prêmio Riksbank de Economia, admite o problema e afirma que os comitês tentam mitigar a falta de diversidade enviando convites para indicações a todas as partes do mundo.

"Nos asseguramos em incluir na lista universidades da África, da Ásia e da América do Sul para não sermos tendenciosos geograficamente. Mas os professores do que se chama de universidade de elite indicam mais candidatos do que os de outras instituições."

E completa: "Isso é algo que não podemos controlar."

Essas universidades de elite nos Estados Unidos e na Europa Ocidental se beneficiam de uma espécie de círculo virtuoso de financiamento. Se você tiver os recursos, poderá realizar pesquisas premiadas, o que atrai mais dinheiro, permitindo que você faça mais pesquisas premiadas...

Portanto, entrar nessas instituições é absolutamente fundamental. E isso é mais difícil para alguns do que para outros.

"Nos EUA, 10% da população é negra, então se esperaria que a mesma porcentagem, ou pelo menos metade, dos mais de 380 vencedores fossem negros", diz Morgan. "Mas apenas quatro negros ganharam, três Nobel da Paz e um de Literatura".

E nenhum na ciência. "Logo, estar nos Estados Unidos não é suficiente."

Os críticos afirmam que a falta de diversidade entre os ganhadores do Prêmio Nobel também pode ser devido à falta de diversidade entre os jurados.

Apesar de tudo...

Com todos os acertos e erros, podemos nos perguntar: o que o Prêmio Nobel deu ao mundo?

"Talvez o aspecto mais importante do prêmio seja informar o público sobre as descobertas fantásticas que estão sendo feitas para inspirar os jovens e mostrar a todos como a ciência funciona e como ela gradualmente torna o mundo um lugar melhor para se viver", diz Hansson.

"Acho que foi isso que Nobel realmente fez: não é para ajudar o cientista a fazer ciência, mas para levar ciência para a sociedade", concorda Donna Strickland, laureada com o Nobel de Física.

"Isso também leva os cientistas ao sucesso", afirma o cosmólogo Brian Keating.

"Eu mesmo estou um pouco apaixonado pelo prêmio Nobel, querendo ganhá-lo, atingir o mais alto nível de notoriedade e imortalidade que você pode obter na física e fazer parte de um grupo muito exclusivo, povoada por pessoas como Einstein e outros. O prêmio Nobel oferece um meio para que homens e mulheres se tornem permanentemente incorporados à história do que nossa espécie é capaz", diz Keating.

No entanto, ele defende ser a hora de fazer algumas reformas "que são quase universalmente exigidas para o prêmio se tornar aquele verdadeiro raio de luz que Alfred Nobel tão nobremente desejou".

"O fato de não ter mudado substancialmente em 118 anos é simplesmente ridículo. O que mais na sociedade não mudou em 118 anos?"

Deveria ser mais transparente, alguns sugerem: por que tem que ser secreto, por que a lista curta de indicações não pode ser publicada? O que o Prêmio Nobel está tentando esconder?

"Se os avaliadores, os especialistas que consultamos, soubessem que suas declarações seriam tornadas públicas, não obteríamos relatórios francos e honestos e isso tornaria a atribuição do prêmio muito mais difícil", rebate Hansson, secretário-geral da Academia Real das Ciências da Suécia.

"Por isso, temos que continuar operando com essas regras de sigilo."