Eslováquia afirma que não acolherá muçulmanos

"O multiculturalismo é uma ficção", diz o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, reiterando seu objetivo de negar asilo a migrantes oriundos de países islâmicos. Eslováquia recebeu apenas 169 refugiados em 2015.

A Eslováquia lutará contra a entrada de migrantes islâmicos no país, afirmou o primeiro-ministro, Robert Fico, nesta quinta-feira (7). Segundo o líder, o motivo é evitar ataques como os de Paris, na França, e Colônia, na Alemanha.

Fico tem usado a questão da crise migratória como elemento-chave de sua campanha para as eleições parlamentares de 5 de março no país. Seu governo entrou com uma ação contra o plano da Comissão Europeia em realocar requerentes de asilo em todos os integrantes da União Europeia (UE).

"Não só estamos recusando as cotas obrigatórias, como nunca tomaremos uma decisão voluntária que levaria à formação de uma comunidade muçulmana unificada na Eslováquia", afirmou o primeiro-ministro a repórteres em Bratislava.

"O multiculturalismo é uma ficção. Uma vez que você deixa migrantes entrarem, você terá de enfrentar esse tipo de problema", disse ele, relacionando o afluxo de refugiados na Europa aos ataques terroristas de novembro passado em Paris e à série de ataques contra mulheres na noite de Réveillon em Colônia. "Não queremos que aconteça aqui o que aconteceu na Alemanha."

Nesta sexta-feira (8), o Ministério do Interior alemão informou que, dos 31 suspeitos já identificados pela Polícia Federal por crimes cometidos no Ano Novo em Colônia, 18 são migrantes requerentes de asilo. A maioria dos casos envolve furto e assalto, mas ainda não foi estabelecida qualquer relação com os ataques a mulheres.

Opinião compartilhada

A postura anti-imigração de Fico ecoa entre os eleitores da Eslováquia, um país católico de 5,4 milhões de pessoas e com quase nenhuma experiência com migrantes. O país recebeu apenas 169 pedidos de asilo em 2015, mas foi requisitado pela Comissão Europeia a aceitar mais 802 pessoas neste ano.

Países vizinhos à Eslováquia têm opiniões semelhantes à do premiê eslovaco sobre a crise migratória. A Hungria também entrou com uma ação na Justiça contra o plano de cotas obrigatórias da Europa. O primeiro-ministro do país, Viktor Órban, tem afirmado repetidamente que o afluxo de refugiados ameaça minar as raízes cristãs do continente europeu.

O novo governo conservador da Polônia também tem se pronunciado contra a migração, dizendo que seu país não pode repetir os erros de outras nações da UE. Varsóvia, no entanto, afirmou que irá cumprir a promessa do governo anterior de conceder asilo a 7.000 requerentes neste ano.

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