Espanhóis vão às urnas em meio a debate sobre Brexit

Referendo no Reino Unido marca último dia de campanha e pode influenciar resultado das eleições legislativas espanholas. Pesquisas indicam liderança de conservadores e grande número de indecisos.

Mais de 36 milhões de espanhóis voltam às urnas neste domingo (26/06) para eleger seus representantes no Congresso e no Senado, apenas seis meses depois das últimas eleições.

Também desta vez, o pleito é marcado por um grande número de indecisos, e as pesquisas indicam que, mais uma vez, haverá dificuldades para a formação de uma maioria parlamentar.

Segundo os levantamentos mais recentes, nenhum partido deverá alcançar maioria parlamentar, e nenhum deles deu sinais de maior flexibilidade na formação de coalizões.

As eleições legislativas antecipadas foram convocadas porque os partidos não conseguiram formar uma maioria parlamentar depois do resultado fragmentado das eleições de 20 de dezembro passado.

Basicamente, os candidatos e os programas são os mesmos de dezembro. A única diferença é a coligação que o Podemos fechou com a Esquerda Unida e que, segundo as pesquisas, tornará o partido de Pablo Iglesias a segunda força no parlamento, dando fim à hegemonia de quatro décadas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) na esquerda espanhola.

Brexit domina último dia de campanha

Nesta sexta-feira, depois de duas semanas percorrendo o país, três dos quatro principais candidatos à presidência do governo espanhol - Mariano Rajoy (Partido Popular, ou PP), Pablo Iglesias (Unidos Podemos) e Albert Rivera (Ciudadanos) - escolheram Madri para terminar a campanha, e apenas Pedro Sánchez (PSOE) preferiu Sevilha, capital da Andaluzia, tradicional feudo socialista.

O último dia da campanha eleitoral foi marcado pelo debate sobre o Brexit, e não está claro que influência o resultado do referendo no Reino Unido poderá ter sobre os eleitores espanhóis.

Os conservadores do PP aproveitaram a oportunidade para prometer estabilidade e acusaram a coligação Unidos Podemos de ser eurocética. "É realmente importante transmitir uma mensagem de estabilidade institucional e econômica", disse Rajoy, num discurso transmitido pela televisão. O chefe do governo provisório acrescentou que "não é o momento de alimentar ou aumentar a incerteza".

Por seu lado, Iglesias lamentou a decisão do Reino Unido de sair da UE e disse que se trata de uma má notícia. "Hoje que na Europa foram aplicadas políticas de austeridade, hoje que a Europa não está à altura, temos de refletir e considerar a necessidade de uma refundação da Europa em termos diferentes do que foi feito nos últimos anos e nos levaram a uma dinâmica perigosa que não nos interessa", afirmou o líder do Podemos.

Já o socialista Pedro Sánchez disse que aquilo que aconteceu no Reino Unido se deve à "confluência entre uma direita irresponsável e o populismo", aproveitando para pedir o voto para evitar a mesma situação na Espanha.

As últimas sondagens indicam que o Partido Popular será o mais votado neste domingo, com cerca de 30% das intenções de voto, a Unidos Podemos consolidará a segunda posição, com 26%, e ultrapassará o PSOE, que ficará com 21%, e o liberal Ciudadanos, com cerca de 15%.

AS/dpa/lusa/efe

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