Ataque de Munique expõe lado útil e perigoso das redes sociais

Christian Wolf (av)

De um lado, meios como Twitter e Facebook tiveram papel de manter transparência sobre operações. Do outro, duas ameaças: imagens e dados falsos; e excesso de informações ao vivo, com potencial de ajudar os criminosos.

Ainda antes que as primeiras emissoras alemães pudessem noticiar ao vivo de Munique, na noite desta sexta-feira (23/07) o tiroteio no centro de Munique já era assunto em outro meio de comunicação: via Twitter ou Facebook a notícia de um incidente no shopping-center Olympia se alastrou com rapidez meteórica.

No entanto, assim como nos atentados anteriores, em Nice ou Orlando, no caso da capital da Baviera ficou claro como a rede, enquanto mídia em tempo real, também traz perigos.

Transparência louvada

Primeiramente os efeitos positivos: enquanto no local agentes armados ainda procuravam por possíveis autores do tiroteio, de todos os lados já se liam, na rede, calorosos elogios ao trabalho de informação da polícia de Munique. Na conta do órgão no Twitter, seus funcionários tentaram estabelecer a máxima transparência possível.

Tanto cidadãos quanto jornalistas utilizaram tweets como fonte de informação, dados atuais sobre o número de vítimas ou sobre o status quo foram compartilhados aos milhares. As mensagens multilíngues, em inglês, francês e turco permitiram acesso a um público bem mais amplo.

Essa iniciativa da segurança de Munique foi reconhecida com muitos agradecimentos, também por colegas, como os da polícia de Berlim: "Colega da @PolizeiMuenchen: Vocês estão fazendo um super trabalho! Cuidem-se. #oez #schießerei #münchen"

Solidariedade em rede

Além dos hashtags #muenchen e #oez (para "Olympia Einkaufszentrum"), um outro logo se espalhou no Twitter: #offenetür (porta aberta). Internautas solidários reagiram à situação incerta com ofertas de ajuda para os cidadãos amedrontados ou que estavam retidos na cidade devido à paralisação do trânsito ferroviário e rodoviário.

Através da palavra-chave apropriada na rede social, era possível oferecer hospedagem para a noite - como um usuário nas proximidades da praça Marienplatz - ou solicitá-la - como outro, chegando à cidade, pedia que alguém o apanhasse na estação de trens e o acolhesse.

O Facebook igualmente reagiu, ativando para Munique a ferramenta Safety Check, através da qual seus usuários podem comunicar aos amigos que estão em segurança. Em ocasiões análogas - por exemplo, nos atentados em Paris e Nice - a rede social já empregara essa função originalmente destinada ao uso em desastres naturais.

Falsas ou verdadeiras, imagens são problema para polícia

Contudo também o lado obscuro da internet rapidamente se manifestou. Mal chegaram as primeiras, ainda vagas, notícias de um tiroteio em Munique, já circulavam no Twitter supostas imagens do shopping onde se viam mortos e feridos. Elas foram divulgadas sem verificação, também pelo canal privado de televisão TV Sat.1.

Depois que foi constatado tratar-se de fotos antigas ou falsificadas, como ocorre com frequência em tais circunstâncias, a emissora alemã se desculpou online: "A gente não devia ter tuitado a foto falsa (alegadamente do #OEZ). Foi mau."

Mas também imagens legítimas do local do crime cursaram na internet - para grande desagrado da polícia, que repetidamente instou os internautas a não postarem fotos nem vídeos, para evitar que assim os eventuais criminosos ficassem sabendo onde e como os agentes estavam operando.

Um desses tuiteiros precipitados foi o jornalista Richard Gutjahr, da emissora alemã BR, que mais tarde fez um mea culpa: "Cometi um erro hoje. Não conseguia acreditar que tinha me metido de novo numa situação assim. As fotos agora foram embora. #OEZ"

Ainda assim foram divulgados diversos vídeos gravados por testemunhas no local da matança. Um deles mostra um homem fazendo diversos disparos diante de uma lanchonete. Em outro, um homem vaga pela cobertura de um estacionamento no shopping-center, fala com passantes e em certo comento começa a atirar.

Em ambos os casos se tratava do autor do ataque. Os órgãos pediram aos usuários para disponibilizarem os filmes aos investigadores, a fim de estabelecer uma cronologia do crime.

Fonte de especial irritação para as autoridades são as transmissões de vídeo em tempo real. Com o app Periscope, por exemplo, durante vários minutos transeuntes fizeram streaming de agentes se posicionando em torno do centro comercial. A transmissão ao vivo de um cidadão de Munique teve mais de 850 mil espectadores.

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