Erdogan: "Dirigentes europeus não são corretos"

Falando à TV alemã, presidente turco acusa UE de descumprir suas obrigações no acordo sobre os refugiados. Volta da pena de morte na Turquia "depende da vontade do povo".

Em entrevista à emissora de TV alemã ARD, divulgada nesta terça-feira (26/07), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, atacou a conduta da União Europeia (UE) relativa ao acordo sobre os refugiados. "Nós cumprimos a nossa promessa. Mas os europeus mantiveram a deles?", indagou.

No aspecto financeiro, "3 bilhões de euros foram prometidos", mas até o momento só foram transferidas somas simbólicas, entre 1 milhão e 2 milhões de euros, afirmou o chefe de Estado, acrescentando: "Os dirigentes europeus não são corretos." O dinheiro deve ser destinado ao abrigo de refugiados sírios na Turquia.

O pacto fechado em março último prevê que Ancara receba de volta todos os refugiados chegados do país às ilhas gregas no Mar Egeu cujas solicitações de asilo sejam indeferidas pela Grécia. Em contrapartida, a UE concordou em receber, por vias legais, um refugiado sírio da Turquia para cada outro devolvido ao país. Além disso, o bloco europeu prometeu verbas para o abastecimento dos migrantes sírios em solo turco.

Desde a tentativa de golpe de Estado na Turquia, contudo, recomeçou na UE o debate sobre se deve ser levado adiante o acordo sobre os refugiados, severamente criticado por ativistas dos direitos humanos desde o início.

Em Bruxelas, a Comissão Europeia rebateu as acusações, afirmando que a UE cumpre o que prometeu e que 105 milhões de euros já foram transferidos.

"Povo quer pena de morte"

Erdogan defendeu diante do entrevistador da ARD suas ações repressivas contra os oposicionistas após o suposto golpe, mas deixou em aberto se pretende prorrogar o estado de exceção, inicialmente decretado por três meses: "Se houver uma normalização, não vamos precisar de mais três meses".

Quanto à perspectiva da reintrodução da pena capital na Turquia, o político conservador islâmico, notório por seu estilo autoritário de governar, disse que se reportou à vontade popular. "Se estamos num Estado democrático, a palavra cabe ao povo. E o que o povo diz hoje? Ele quer que a pena de morte seja novamente adotada."

O porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, declarara recentemente que considerava a execução dos golpistas "um castigo justo". A UE reagiu, advertindo que a reintrodução da pena capital redundaria na suspensão das negociações para o ingresso da Turquia na comunidade europeia.

AV/ard/rtr/afp/dpa

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