Grevistas do Porto do Lobito denunciam ameaças do empregador

Nelson Sul d'Angola (Benguela)

Na província angolana do Lobito, estivadores manifestaram-se nesta sexta-feira (23.09.) para exigirem o pagamento de salários em atraso há cinco meses. Iniciaram uma greve na quarta-feira e "só param quando receberem".

Os trabalhadores do Porto do Lobito dizem que não vem a cor do seu dinheiro há cinco meses e, por isso, decidiram observar uma grave por tempo indeterminado, até que a direção do Porto satisfaça as suas exigências.

A greve que foi decretada na quarta-feira (23.09.) vai hoje no seu terceiro dia. Esta manhã, aglomerados diante das instalações do Porto do Lobito, os mais de dois mil estivadores não exigiam sómente o pagamento dos salários em atraso. Um dos grevistas reclama: "É o salário que todos nós precisamos porque também temos famílias".

Também, clamavam pela demissão do Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, Anapaz Neto. "O que nós pretendemos, em primeiro lugar, é a demissão da direção", disse outro estivador.

A direção do Porto do Lobito, segundo os estivadores, alega que o atraso no pagamento dos salários terá a ver com a crise económica que o país atravessa, algo que Armindo César, um dos grevistas, contesta: "Desde janeiro até agora, setembro, entraram tantos navios. A gerência do Porto do Lobito é que não é boa. Não sabe gerir este porto".

Há três dias que não ocorrem descargas e carregamentos de mercadorias naquela unidade portuária, tida como das mais importantes do país e da região daComunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), registando, neste momento, um congestionamento de navios que procuram atracar no terminal marítimo.

Grevistas ameaçados

As consequências económicas da paralisação do setor da estiva são incalculáveis não apenas para o Porto do Lobito, mas principalmente para o Estado angolano, bem como para centenas de empresas que dependem do porto.

Entretanto, apesar da greve ser um direito constitucional, alguns estivadores do Porto do Lobito denunciam que estão a receber ameaças de morte e de rescisão de contrato por parte da direção da empresa portuária, para quem os grevistas estariam a obedecer a uma agenda do maior partido na oposição, a UNITA.

Um dos grevistas responde a acusação nos seguintes termos: "O porto é do povo, não é do partido. Os que são do comité central é que estão a trair José Eduardo dos Santos"

Outro exige mudanças: "No Porto do Lobito quando se aproximam as eleições, sempre acontece essa confusão. E temos que mudar isso. Eles pensam que somos filhos daqueles que fizeram greve em 1992 que pertenceram a UNITA".

E outro sai em defesa do maior partido da oposição: "A UNITA é bicho? A UNITA é bicho?"

E há quem seja desconfiado: "Foi uma desculpa que eles levaram a Luanda. Eles disseram que esses são da UNITA e querem embaraçar as eleições".

A DW África tentou obter uma reação por via telefónica do PCA do Porto do Lobito, mas ele não respondeu.

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