Protestos continuam em Charlotte após vídeos inconclusivos da polícia

Imagens da ação policial que resultou na morte do negro Keith Scott não ajudam a esclarecer o caso. Família contesta tese de que homem estaria armado, e manifestações prosseguem na cidade americana.Os protestos em razão da morte de um homem afro-americano pela polícia na cidade americana de Charlotte prosseguiram neste domingo (25/09), depois de a polícia divulgar vídeos que não esclarecem se a vítima estava ou não armada. No início da tarde, um grupo de cerca de cem manifestantes se reuniu diante do estádio da cidade para protestar contra a morte de Keith Scott, de 43 anos, na última segunda-feira. Eles se ajoelharam quando o hino nacional foi tocado antes de uma partida de futebol americano. Outras dezenas de pessoas pararam diante de um memorial improvisado erguido no local onde o homem foi morto. De sábado para domingo, na quinta noite seguida de manifestações, centenas de pessoas participaram de passeatas pela cidade. Pela primeira vez em três noites, a polícia fez valer a imposição do toque de recolher, prendendo quatro pessoas por violação da ordem, bloqueio ao tráfego e porte de arma caseira. Uma multidão que permanecia em frente à sede da polícia foi dispersa sem violência pouco depois da meia-noite, no horário local. Neste sábado, a polícia divulgou dois vídeos que mostram o momento da morte de Scott. Um deles foi filmado com a câmera do carro policial, e o outro, com a corporal de um dos agentes que acompanhavam o policial que atirou. O chefe de polícia de Charlotte, Kerr Putney, reconheceu que as imagens são "insuficientes" para esclarecer se a vítima portava ou não uma arma. "Eles viram a pistola e sentiram que deveriam agir" "Não há evidências visuais definitivas de que ele tinha uma pistola nas mãos", disse Putney. "Mas vemos evidências convicentes, quando juntamos todas as peças, que sustentam isso." Policiais que cumpriam um mandado de prisão contra outra pessoa dizem ter encontrado Scott num carro estacionado portando maconha e uma arma. "Eles viram a maconha e não agiram. Eles viram a pistola e sentiram que deveriam agir", afirmou o chefe de polícia. A tese de que Scott estava armado é contestada pelos familiares da vítima e pelos manifestantes. A polícia divulgou fotografias de um cigarro de maconha, um coldre de tornozelo e uma pistola, que dizem ter várias impressões digitais de Scott. A família da vítima afirma que as imagens divulgadas pela polícia mostram que o pai de sete filhos não agiu agressivamente e que não fazia sentido que a polícia atirasse nele como forma de neutralizá-lo. Um vídeo feito pela esposa de Scott, que mostra a abordagem policial e os instantes logo após os disparos, também é inconclusivo quanto ao fato de ele estar ou não armado. RC/rtr/ap/efe

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