Opinião: "Sim" para a paz na Colômbia

Tom Koenigs

O plebiscito sobre a paz com as Farc é uma questão pessoal dos colombianos. Mas seu resultado terá caráter de exemplo internacional, opina Tom Koenigs, enviado da Alemanha para as negociações de paz na Colômbia.Os colombianos estão diante de uma decisão histórica: após 52 anos de guerra com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), 340 mil mortos e 6,5 milhões de deslocados internos, o país tem a possibilidade de dar fim ao conflito armado. O plebiscito marcado para este domingo (02/10) conferirá legitimação e vinculatividade ao resultado das negociações em Havana. O processo de paz entre Bogotá e Farc é um assunto interno, mas que também tem significado internacional. Os resultados de Havana mostram que muito se aprendeu com as experiências de outros países, inclusive da Alemanha. A paz não representa apenas o fim de uma guerra, mas também um passo em direção à reconciliação, tendo a verdade e a dignidade das vítimas como foco. O que não se conseguiu na Alemanha nos processos contra os nazistas após a Segunda Guerra Mundial, e tampouco após a Reunificação em 1990, é o ponto de partida da Justiça interina colombiana: a verdade sobre o ocorrido e a aceitação da culpa pelos agressores. Os que se confessem, não serão condenados à prisão, mas sim a penas de reparação de até oito anos. Portanto olha-se adiante e se coloca uma convivência pacífica e a não reincidência em primeiro plano, em vez da retaliação. Esse procedimento com os principais responsáveis por crimes gravíssimos de todos os lados – rebeldes, militares, paramilitares, políticos e empresários – nada tem a ver com impunidade: trata-se de um caminho novo e ambicioso para a expiação e o restabelecimento da paz nacional. Muitos se surpreendem que o "sim" aos acordos de paz, unanimemente saudado no exterior, seja tão controvertido na Colômbia. Mas não há como se prescrever aos que tanto sofreram – afinal, são muitos milhões de vítimas – a forma como devem lidar com os crimes cometidos. O plebiscito é uma decisão muito pessoal de cada colombiana e colombiano. O escritor Héctor Abad Faciolince expressou esse aspecto com grande clareza em seus escritos. Para nós, amigos da Colômbia de todo o mundo, um claro "sim" seria um exemplo importante para a solução de conflitos – grandes e pequenos – através de negociações, diálogo e cooperação, e não pela força armada. A Colômbia, com seus mais de 100 anos de história de solução – ou não solução – de conflitos por meio de violência, poderá assim emitir um sinal de paz para o mundo. Por isso sou a favor do "sim". Tom Koenigs foi, durante vários anos, consultor para o meio ambiente e tesoureiro municipal de Frankfurt, assim como enviado especial interino da ONU para o Kosovo e, mais tarde, chefe das missões das Nações Unidas no Afeganistão e Guatemala. Desde 2009, o político de 72 anos, do PartidoVerde, é deputado do Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão). O Ministério alemão do Exterior o enviou à Colômbia como consultor para as negociações de paz.

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