Michelle vira trunfo de Hillary na reta final

Michael Knigge (md)

Na primeira aparição conjunta na campanha presidencial e de olho nos afro-americanos, a atual e a ex-primeira-dama fazem apelo para que eleitor saia de casa e vá votar. Democratas temem "já ganhou" na reta final.Com uma enorme bandeira americana ao fundo e rodeadas de pessoas, a maioria jovens, as duas primeiras-damas mais famosas do planeta fizeram sua primeira aparição conjunta na atual campanha presidencial, na Carolina do Norte. O evento foi transmitido em todos os canais televisivos. "Essa foi uma jogada muito inteligente de Hillary Clinton", avalia Melissa Deckman, diretora do Instituto de Ciência Política da Faculdade de Washington, em Maryland. "Pois Michelle Obama se tornou, de forma um pouco surpreendente, uma das militantes mais populares de Hillary." A primeira dama conseguiu conquistar os corações de muitas pessoas com dois discursos brilhantes, um no congresso do Partido Democrata e o outro há algumas semanas, em resposta a comentários misóginos do republicano Donald Trump. Mas ela também conseguiu outra coisa que Hillary, até então, não havia conseguido, diz Deckman: desmascarar Trump como alguém impróprio para a presidência. Imagem suprapartidária "A razão para a efetividade de Michelle Obama como ativista eleitoral é simples", diz Matt Dallek, cientista político da Universidade George Washington. "Ao contrário de Hillary e também de outros democratas famosos que fazem campanha para ela, Michelle Obama é vista por muitas pessoas como uma personalidade suprapartidária. E não sem razão, afinal ela foi muito discreta politicamente nos últimos oito anos, antes desta campanha eleitoral", observa. Essa autenticidade, juntamente com a imagem de alguém por cima das picuinhas da política diária, faz dela o cabo eleitoral perfeito para Clinton. Em Winstem-Salem, Michelle fez jus à fama. Sem citar nominalmente o candidato republicano, ela reiterou sua crítica e o chamou de inadequado para o mais alto cargo no país. Ao mesmo tempo, traçou uma imagem incomum de Hillary, que ela chamou de "filha de uma órfã", referindo-se à mãe. E, claro, elogiou a candidata democrata como política e, o mais importante, como mulher e mãe. Batalha contra apatia eleitoral O verdadeiro objetivo da aparição conjunta, porém, não eram os elogios mútuos nem as críticas a Trump, mas levar às urnas os eleitores da Carolina do Norte. Em primeiro lugar, na Carolina do Norte acontece o chamado early voting, isto é, as pessoas já podem votar. Em segundo lugar, o estado é um chamado swing state, no qual o republicano Mitt Romney ganhou por pouco em 2012 e onde o presidente Barack Obama venceu, também por pequena margem, em 2008. E, em terceiro lugar, uma vitória de Hillary na Carolina do Norte poderia significar o fim de Trump. "Se Hillary vencer na Carolina do Norte, uma presidência Trump fica praticamente impossível", afirma Deckman. Pois, sem os 15 votos dos representantes do estado no colégio eleitoral, Trump praticamente não consegue chegar aos 270 necessários para a vitória. As pesquisas indicam ligeira vantagem de Hillary na Carolina do Norte, mas os democratas têm medo de que, diante de uma vitória dada como certa, muitos eleitores, especialmente afro-americanos, resolvam ficar em casa. Michelle Obama superstar "Michelle Obama também está aqui porque aqui há uma forte presença de afro-americanos", ressalta Deckman. "Hillary tem muitos eleitores entre os afro-americanos, mas os democratas estão preocupados que esses eleitores resolvam não ir às urnas. Michelle Obama é extremamente popular em nível nacional, mas para os afro-americanos, e especialmente para as mulheres afro-americanas, ela é uma verdadeira superstar." Para evitar uma possível apatia dos eleitores diante dos bons números das pesquisas, Hillary e especialmente Michelle Obama convocaram a multidão, quase em tom de mantra, a sair de casa e ir votar. "O tamanho da multidão e o entusiasmo eram impressionantes. Acho que Michelle deu bons argumentos para as pessoas ficarem ainda mais entusiasmadas", diz Katy Harriger, diretora do Instituto de Ciências Políticas da Universidade Wake Forest, em Winston-Salem, que assistiu ao comício.

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