Le Pen se nega a usar véu e cancela encontro com líder muçulmano

Em visita ao Líbano, candidata francesa deixa escritório de Abdul Latif Derian, principal clérigo para os sunitas no país, após recusar vestimenta muçulmana. Ela é a favor de vetar véu em espaços públicos na França.A candidata populista de direita à presidência da França, Marine Le Pen, concluiu nesta terça-feira (21/02) uma visita polêmica ao Líbano, que incluiu o cancelamento de seu encontro com um líder muçulmano libanês depois de ela ter se recusado a cobrir o cabelo usando um véu islâmico. Durante a visita de dois dias, Le Pen se reuniu com diversos líderes políticos, como o presidente Michel Aoun, o primeiro-ministro, Saad al-Hariri, e o ministro do Exterior, Yebrán Basil. Uma reunião, no entanto, precisou ser desmarcada. Le Pen se encontraria com o xeique Abdul Latif Derian, grão-mufti do Líbano e principal clérigo para os muçulmanos sunitas, mas se negou a colocar o véu, oferecido por um funcionário do escritório de Derian antes do encontro, e deixou o lugar. Uma nota emitida pelo gabinete do grão-mufti afirma que o líder religioso lamenta "o comportamento inapropriado" de Le Pe. Segundo o texto, ela havia sido informada sobre a necessidade de cobrir o cabelo para se reunir com Derian, "mas quando chegou ela se recusou a fazê-lo". "A mais alta autoridade sunita do mundo não me fez essa exigência. Portanto, não tenho motivos para fazê-lo agora", afirmou Le Pen ao funcionário do escritório do xeique. "Vocês podem transmitir meu respeito ao grão-mufti, mas não vou me cobrir", concluiu ela, antes de se retirar. A candidata francesa se referiu a um encontro em 2015, no Cairo, com o grão-mufti do Egito, Ahmed al-Tayyip, um dos mais importantes clérigos sunitas em todo o Oriente Médio. Mais tarde, Le Pen explicou que, antes do encontro, chegou a comunicar ao gabinete de Derian que não usaria a vestimenta muçulmana, mas ninguém dissera que ela não deveria comparecer. "Eles não cancelaram a reunião, então eu pensei que aceitariam o fato de que eu não vestiria o véu", disse ela. A política francesa não foi a primeira a tomar tal atitude. Mulheres como a chanceler federal alemã, Angela Merkel, a ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton e as ex-primeiras-damas dos Estados Unidos Laura Bush e Michelle Obama também se negaram a usar o véu durante visitas diplomáticas à Arábia Saudita, onde todas as mulheres são obrigadas a trajar a vestimenta. A França, por sua vez, restringe o uso do véu – que cobre o cabelo, mas deixa o rosto descoberto – em escolas e universidades. Le Pen, que é uma das favoritas à presidência, segundo pesquisas de intenção de voto, já declarou que deseja estender essa medida para todo o espaço público francês. EK/efe/afp/ap/lusa

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