Nova ofensiva do Kremlin contra a oposição

Dezenas de milhares vão às ruas da Rússia protestar contra a corrupção, na maior manifestação de desafio a Putin em cinco anos. UE e EUA condenam repressão, que teve líder opositor e mais de mil detidos.De Vladivostok, no extremo leste, até Caliningrado, no oeste – a Rússia vivenciou o maior protesto em cinco anos contra o presidente Vladimir Putin. Oficialmente contra a corrupção, as manifestações de domingo (26/03) foram também um raro ato público contra o governo. O principal crítico do Kremlin e mais de mil pessoas foram presas. Os Estados Unidos condenaram as detenções, e a União Europeia (UE) exigiu a liberação imediata dos manifestantes. O líder da oposição e candidato à presidência da Rússia Alexey Navalny compareceu, nesta segunda-feira (27/03), a um tribunal. Ele recebeu uma multa de 340 dólares, mas pode ser condenado a 15 de prisão sob acusação de organizar um protesto não autorizado pelo Kremlin. Os protestos foram convocados por Navalny, um oposicionista carismático que recentemente anunciou sua candidatura à presidência russa. Ele foi detido enquanto caminhava de uma estação de metrô para a manifestação. O Kremlin acusou os organizadores dos protestos anticorrupção de incitação à violência. Os Estados Unidos e a União Europeia manifestaram preocupações com as detenções. Washington descreveu a situação como uma "afronta à democracia" e condenou as detenções na Rússia. "Os EUA condenam veementemente a detenção de centenas de manifestantes pacíficos na Rússia no domingo", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner. "Estamos preocupados com a detenção de Navalny, assim como com as ações da polícia contra organização anticorrupção que ele lidera." Já a UE apelou à Rússia para libertar "imediatamente" as centenas de "manifestantes pacíficos" presos no domingo. "Fazemos um apelo às autoridades russas para que cumpram seus compromissos internacionais, inclusive os do Conselho da Europa e da OSCE, façam valer esses valores e libertem sem demora os manifestantes pacíficos detidos", afirmou em comunicado a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. A UE criticou o fato de que a polícia russa, "em uma tentativa de dispersar os manifestantes e com a detenção de centenas de cidadãos, incluindo o líder opositor, tenha impedido o exercício da liberdade básica de expressão, associação e assembleia pacífica, que são direitos fundamentais da Constituição russa". No domingo, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas no que foi a maior exibição coordenada de insatisfação popular desde as manifestações anti-Kremlin em 2011 e 2012, depois de uma eleição manchada por suspeitas de fraude. O grupo de defesa dos direitos humanos OWD Info reportou que mais de mil manifestantes foram presos. Kremlin fala em provocação O Kremlin afirmou que os protestos representaram uma "provocação" e que algumas detenções foram orquestradas. "Essencialmente, o que vimos ontem em vários lugares – provavelmente especialmente em Moscou – foi uma provocação e uma mentira", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que crianças receberam "recompensas financeiras no caso de detenção por agências de aplicação da lei". "O Kremlin respeita a posição cívica das pessoas e seu direito de expressar sua posição", afirmou Peskov. "Não podemos expressar o mesmo respeito àqueles que conscientemente enganam as pessoas e conscientemente o fizeram ontem e provocaram ações ilegais." A televisão estatal russa ignorou os protestos em sua cobertura jornalística. A polícia de Moscou alertou previamente que o protesto era ilegal. A grande maioria das cidades russas onde manifestações estavam anunciadas também proibiu os atos, citando razões que vão desde a limpeza de ruas até um concerto de campanha para eventos rivais de vários grupos pró-Kremlin. As autoridades também pressionaram os estudantes a não comparecerem, e algumas cidades até agendaram exames em um domingo, segundo relatos. O dia nacional de protesto foi convocado com o tema "Dimitri pagará", que faz referência ao primeiro-ministro Dimitri Medvedev, acusado de ser um dos homens mais corruptos da Rússia. Navalny fez a denúncia no início do mês em um vídeo publicado no Youtube, resultado de uma investigação de vários meses. No vídeo, que já foi visto mais de 10 milhões de vezes, Navalny afirma que Medvedev, um dos principais aliados de Putin, construiu um império imobiliário dentro e fora do país, através de fundações beneficentes comandadas por parentes e pessoas de sua confiança. PV/lusa/efe/afp/dpa/ap

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