À direita de Donald Trump

Brandon Conradis (fc)

Por trás da primeira derrota do governo no Congresso, está uma coalizão secreta de 30 deputados de agenda linha-dura. Foram eles que vetaram a reforma que pretendia derrubar o Obamacare, por considerá-la branda demais.Para Donald Trump e o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, foi uma grande derrota política. Revogar o Obamacare, a reforma de saúde do governo Barack Obama, era para a ser a primeira vitória de um presidente que se vendeu aos eleitores como negociador experiente que poderia sacudir o sistema e conseguir resolver os problemas em Washington. Mas a derrota de sexta-feira (24/03) se transformou num alerta. Apesar do intenso lobby de Trump e Ryan, os membros da bancada conservadora linha-dura Freedom Caucus rejeitaram o plano. Os deputados republicanos retiraram o projeto de lei após perceberem que não teriam o apoio suficiente de membros de seu próprio partido. Embora Trump estivesse inicialmente hesitante em culpar o Freedom Caucus pela derrota, ele atacou o grupo no Twitter no domingo. Agora, observadores em Washington estão ansiosos para ver como o presidente lidará com o Freedom Caucus, já que seu governo terá que votar outras reformas controversas, como a tributária. Observadores afirmam que os membros do Freedom Caucus têm a agenda política de Trump em suas mãos: como bloco, eles podem minar a vantagem na Câmara que o Partido Republicano (237 cadeiras) tem sobre os democratas (193). Homens brancos O Freedom Caucus é uma coalizão secreta de republicanos na Câmara dos Representantes dos EUA. Constituído em 2015, o grupo tem cerca de 30 membros, todos homens brancos de diferentes regiões do país, e é atualmente liderado por Mark Meadows, da Carolina do Norte. A coalizão não revela o nome de todos seus membros, mas, com base em declarações e na forma como votam os deputados, a imprensa americana tem uma ideia clara de sua formação. De acordo com sua conta no Twitter, o grupo defende um "governo aberto, responsável e limitado". "Eles são conservadores de direita que se consideram libertários absolutistas", afirma Christopher Phelps, professor de Estudos Americanos na Universidade de Nottingham. "Eles também se veem como uma expressão política do movimento [ultraconservador] Tea Party", completa, se referindo ao movimento político que ganhou destaque em 2009. Visto na capital americana como agitadores de extrema direita, eles têm atormentado a ala mais moderada do Partido Republicano. Também receberam o crédito pelo afastamento do predecessor de Ryan, John Boehner, que chocou Washington ao se aposentar no Congresso em outubro de 2015. Eliminação do Obamacare Trump foi eleito em grande parte por sua promessa de revogar e substituir o Obamacare, que os republicanos consideram um fracasso. O Freedom Caucus é contra o governo regular os cuidados à saúde, e quando Ryan revelou a nova legislação que eliminaria o Obamacare, mas não totalmente, muitos membros do grupo acharam que o novo plano era insuficiente. Mesmo depois de várias concessões de última hora, a maioria dos membros do Freedom Caucus se opôs ao plano. "Revogação de 100% [do plano]", afirmou Ted Yoho, deputado pela Flórida e membro da bancada, de acordo com a revista Time. "Eu persegui isso, fui enviado aqui para isso, e este projeto de lei não faz isso." Mas, para muitos legisladores republicanos, que têm uma base eleitoral que depende dos benefícios do Obamacare, a revogação completa é politicamente inviável. "O problema real aqui é que [os membros do Freedom Caucus] estavam pressionando por algo que não está de acordo ao que quer a maioria dos americanos", opina Brian Klaas, um ex-assessor de campanha nos EUA e atualmente professor de Política Comparada na London School of Economics. Novas batalhas O fiasco na aprovação do novo plano de Trump já levou um membro do Freedom Caucus, Ted Poe, do Texas, a renunciar. Agora, o presidente muda seu foco para aprovar a reforma tributária, uma nova luta que poderá surgir. Os republicanos estavam apostando num novo plano de saúde que, argumentam, economizaria 1 trilhão de dólares – algo que possibilitaria a reduzir impostos sem aumentar a dívida pública. Pelo fato de o Freedom Caucus querer a redução da dívida, a reforma tributária poderia ser controversa. Segundo Klaas , a derrota de sexta-feira mostrou aos membros do Freedom Caucus que "podem se opor a Trump" e frustrar a aprovação da nova legislação: "Basicamente, alienar o que deveria ser um núcleo de apoio para ele não é uma medida sensata. Isso não facilitará para eles o trabalho com o presidente." Phelps reconhece que isso significa que Trump e Ryan podem ser forçados a procurar uma fonte de apoio no futuro: a ala mais conservadora do Partido Democrata. "A agenda legislativa de Obama foi, em grande parte, obstruída pela recusa republicana e, agora, pode ser que a agenda legislativa de Trump também seja obstruída pela rejeição republicana."

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