Indústria alemã já teme consequências do Brexit

Klaus Ulrich (as)

Saída da UE já deixou primeiros sinais negativos nas exportações da Alemanha para o Reino Unido, e empresários não escondem pessimismo em relação ao futuro dos negócios bilaterais.Agora é pra valer: o governo britânico apresenta nesta quarta-feira (29/03), em Bruxelas, o pedido oficial para deixar a União Europeia (UE). A Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK) espera um claro recuo nas relações comerciais da Alemanha com o Reino Unido por causa do Brexit. "O Brexit vai prejudicar enormemente os negócios de empresas alemãs com o Reino Unido", afirmou o presidente da DIHK, Eric Schweitzer, ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. Segundo uma pesquisa da DIHK, cerca de 40% das empresas alemãs com atuação no Reino Unido esperam uma piora nos negócios nos próximos meses – mesmo que a situação atual ainda seja definida como "mais ou menos sólida". Das empresas consultadas, 9% planejam retirar investimentos do Reino Unido, a maioria para a Alemanha, mas outras também para países dentro e fora da UE. Diante do início das negociações sobre a saída do Reino Unido, Schweitzer alerta contra "concessões excessivas", o que poderia prejudicar o mercado comum europeu. Ao mesmo tempo, ele espera que os obstáculos ao transporte de mercadorias e a burocracia se elevem o mínimo possível. Um desejo compreensível, já que um fracasso nas negociações significaria uma saída ríspida – o chamado "Brexit duro". Se isso ocorrer, o Ministério alemão das Finanças prevê tremores nos mercados financeiros. Se a União Europeia e o Reino Unido não chegarem a um acordo dentro do prazo previsto, a estabilidade dos mercados financeiros poderá ser ameaçada, afirma uma análise do ministério publicada pelo jornal Handelsblatt. Saída de 60 bilhões de euros Em 34 páginas, os funcionários do Ministério das Finanças alemão reuniram as questões financeiras que a UE e o Reino Unido terão de resolver e o que pode acontecer se não houver acordo dentro do prazo previsto. E o tempo urge: o Artigo 50 do Tratado de Lisboa prevê que as negociações para um divórcio amigável durem no máximo dois anos – pouco tempo se for considerada a montanha de problemas. Pelos cálculos da UE, o Reino Unido terá que pagar até 60 bilhões de euros ao bloco pela sua saída. O total se refere aos valores já devidos pelos britânicos ao atual orçamento europeu e compromissos com aposentadorias de trabalhadores da UE. Para Londres, a maior prioridade entre os prováveis pontos de atrito nas negociações é o futuro do setor financeiro britânico, que é responsável por 12% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido. Em paralelo, o governo britânico ainda terá que resolver a enorme tarefa de regulamentar novamente quase todos os aspectos da vida cotidiana e econômica do país. Segundo o Handelsblatt, o Parlamento britânico calcula que terá que importar cerca de 19 mil normas e leis da União Europeia para a sua legislação – e tudo isso em paralelo às negociações com a UE. Negociações podem ser estendidas O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, disse que as negociações propriamente ditas vão durar 18 meses. O tempo que restar ao fim do processo será necessário para ratificar o acordo entre Reino Unido e UE. Mas há uma porta aberta: as negociações poderão se postergadas a qualquer momento, se "o Conselho Europeu e os Estados atingidos concordarem por unanimidade com a ampliação desse prazo", afirma o Artigo 5 do Tratado de Lisboa. Ou seja, em tese, as negociações podem se estender para sempre. Do ponto de vista econômico, isso certamente não é desejável. A simples iminência do Brexit já deixou sinais nas exportações alemães. Segundo o instituto econômico IW, que é ligado à indústria alemã, especialmente o setor farmacêutico (recuo de 19% nas exportações para o Reino Unido), a indústria automobilística (queda de 14%) e setor químico (11%) foram atingidos no segundo semestre de 2016. No total, as exportações alemãs para o Reino Unido recuaram 7,2% na comparação anual. Uma explicação é a desvalorização da libra esterlina, o que encarece os produtos fabricados na zona do euro.

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